Mário Jardel, 35 anos, é uma criança grande. Continua uma criança grande.
Mário Jardel, 35 anos, foi o jogador mais espantoso que vi passar no futebol português nos últimos 25 anos. O melhor. A opinião, claro, é discutível. A marca de Jardel não: títulos, glória e golos, muitos golos. De toda a forma e feitio, marcados de cabeça ou com qualquer dos pés. De peito, joelho, coxa, calcanhar. Até, jura-me um treinador que com ele trabalhou no FC Porto, com o rabo! Aconteceu num treino que lhe corria mal como tantos outros... até à hora de empurrar para a baliza. A bola, quando o encontrava no caminho, sabia onde tinha de chegar. E chegava.
Jardel foi títulos, glória e golos quase até ao fim. Criança grande, ao que parece bom de coração e influenciável, caiu na má vida. Arrastou-se no segundo ano de Sporting, saiu para Inglaterra, andou por mil lugares e a magia dos golos não voltou. Ainda regressou ao Beira Mar, sem sucesso. Jardel continuou títulos e glória, a imagem ainda assim intocada.
Jardel, com muito menos anos, nunca escondeu que gostaria de ter jogado no Benfica. E disse muitas vezes o óbvio: "Comigo o Benfica era campeão."
Mas os óbvios também se esbatem no tempo. Jardel, 35 anos, faria alguns golos e empolgaria a bancada, mas dificilmente faria do Benfica campeão.
Jardel, 35 anos, é uma criança grande. E por isso perdoa-se-lhe outra vez a insistência. Mas já chega, não?




Rating: 0.0
Actividade em ionline