O primeiro-ministro considerou hoje que o objetivo da igualdade entre homens e mulheres é "uma batalha nunca terminada" e um "caminho sem fim", designadamente ao nível da compatibilização entre vida familiar e profissional e igualdade salarial.
José Sócrates falava aos jornalistas antes de participar num almoço com 12 mulheres representativas das mais variadas áreas profissionais, iniciativa integrada nos cem dias de Governo socialista.
No almoço, na residência oficial do primeiro-ministro, também estiveram presentes as ministras do Trabalho (Helena André), da Educação (Isabel Alçada), da Saúde (Ana Jorge), da Cultura (Gabriela Canavilhas) e do Ambiente (Dulce Pássaro), assim como as secretárias de Estado Elza Pais, Dalila Araújo, Fernanda Carmo e Idália Moniz.
"A questão da igualdade entre homens e mulheres é uma batalha nunca terminada e um caminho sem fim, que temos sempre que aprofundar. Ainda há muito a fazer no que diz respeito à compatibilização entre a vida profissional e familiar", declarou José Sócrates.
Segundo o primeiro-ministro, importa ainda "garantir uma rede de creches, que permita às jovens famílias terem os filhos pretendem e não apenas aqueles que a vida profissional lhes permita".
"Há também necessidade de vigiarmos permanentemente as diferenças salariais entre homens e mulheres. Mas a verdade é que Portugal já fez um longo caminho desde o 25 de Abril de 1974. O papel da mulher na sociedade portuguesa é hoje um dos nossos elementos de maior modernidade", sustentou.
No almoço com o primeiro-ministro, estiveram presentes a atleta Naíde Gomes, a melhor aluna do 12º ano Alena Khmelinskaia (de nacionalidade russa), a presidente da EDP Renováveis, Ana Maria Fernandes, a relatora das Nações Unidas Catarina Albuquerque e a empresária Catarina Portas.
No grupo estavam ainda a diretora-geral da Microsoft, Cláudia Goya, a melhor aluna nacional de 2009, Diana Baptista, a advogada Fernanda Matoso, a designer Guta Moura Guedes, a atriz Maria Rueff, a investigadora Raquel Seruca, a cantora Tereza Salgueiro, a presidente executiva da Edifer, Vera Pinto Coelho, e a produtora do Rock in Rio, a brasileira Roberta Medina.
Nas declarações que fez aos jornalistas, o primeiro-ministro procurou demonstrar os progressos realizados em Portugal no domínio da igualdade, referindo, a título de exemplo, que ainda em 1977 "uma mulher para trabalhar tinha que pedir autorização ao marido".
"Hoje temos um país que tem mais mulheres a trabalhar em percentagem comparados com os restantes países europeus e que tem mais mulheres no Ensino Superior ou na Ciência", considerou.
De acordo com a secretária de Estado da Igualdade, Elza Pais, as diferenças salariais entre homens e mulheres podem ser combatidas através da promoção de planos para a igualdade nas empresas e prémios junto das firmas que já desenvolvem "lógicas de responsabilidade social".
"Ao promovermos a conciliação no masculino e no feminino, com o desenvolvimento da rede de creches, as famílias ficam mais apoiadas. A nossa estratégia passa por um trabalho de proximidade com as empresas, com as autarquias, com os serviços da administração central e com os vários ministérios", disse.
Para Elza Pais, o objetivo "é que as mulheres possam definir as suas carreiras sem terem de as interromper, tal como tem acontecido até agora".
"O grande obstáculo para um equilíbrio salarial entre homens e mulheres é o facto de a conciliação se ter feito exclusivamente no feminino e de os país não terem sido muito chamados ao cuidado da família. Queremos que a interrupção das carreiras se faça de formas equilibrada", afirmou a secretária de Estado.
Na perspetiva de Elza Pais, a diferença salarial em Portugal entre homens e mulheres "já não é grande na administração pública".
"Mas nas empresas a representação de mulheres nos cargos de decisão ainda é baixa", acrescentou.




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