Feitos de junco entrançado, os archotes que podem fazer a vila de Amiais de Baixo (Santarém) entrar para o Guinness acumulam-se na garagem do juiz das festas à espera do momento de iluminarem a procissão em honra do mártir São Sebastião.
O "grande momento", de dar projeção nacional "e mesmo internacional" às festas que no fim de semana antes do Carnaval fazem o orgulho da vila por atraírem visitantes de toda a região, está marcado para a noite do próximo sábado.
Edgar Saldanha, juiz das festas, teve a ideia de candidatar aquilo que achava ser único no país -a procissão dos archotes dos Amiais - para "dar projeção nacional e, neste caso, internacional" a umas festas com origem em 1847 e que "são já muito conhecidas a nível regional".
A candidatura ao Guinness World Records foi aceite, com a informação de que o recorde dos archotes pertence à Suécia, 407, número que Edgar Saldanha acredita ser possível bater, já que o ano passado a comissão de festas distribuiu mais de 500.
A única dificuldade, admitiu à agência Lusa, é a exigência de que a procissão percorra uma milha (1.620 metros), cerca do dobro do percurso habitual, mantendo-se os archotes acesos ao longo de todo o trajeto.
Esta exigência, que vai ser testemunhada ao vivo por uma enviada do Guinness, obrigou a que este ano fosse colocado um cuidado especial na feitura dos archotes, para garantir que não se apagam.
Desconhecendo os archotes suecos que entraram para o Guinness, Edgar Saldanha disse à Lusa que os archotes usados na procissão dos Amiais são feitos de "bracejo", uma espécie de junco que um grupo de mulheres da vila apanhou em junho na zona de Montemor-o-Novo.
Celeste Sousa, 73 anos, é uma das mulheres que se junta ao grupo que prepara os archotes - o junco tem que ser limpo, posto a secar e escolhido - antes de irem para Setúbal, onde o senhor Rogério os banha "com um produto à base de breu (resina de pinheiro com alcatrão)".
As festas da sua terra são "do melhor que pode haver", disse Celeste Sousa à Lusa, frisando que, além da procissão, é preciso não esquecer "o fogo de artifício no ar" e os artistas (este ano Jorge Palma é cabeça de cartaz) que atraem muitos visitantes a uma povoação que os recebe "limpa e enfeitada".
O archote que pode fazer os Amiais entrarem para o Guinness tem cerca de 80 centímetros e é revestido na zona onde será seguro por um pedaço de papel "para evitar que as mãos se sujem", sublinhou Edgar Saldanha.
A idade avançada da única pessoa que conhecem em Portugal a fabricar estes archotes, fez com que a comissão de festas dos Amiais tenha escolhido alguns dos seus elementos para irem, no fim de semana que passou, aprender uma arte que pode estar em extinção.
"O senhor Rogério tem certa idade e não queremos perder a tradição", disse, adiantando que a comissão de festas está a pensar adquirir "os utensílios rudimentares que ele utiliza" para passar a fabricar os archotes para a sua procissão.
A procissão, que em tempos mais antigos se realizava a 20 de janeiro, passou a realizar-se no fim de semana antes do Carnaval por ser nesta altura que os serradores interrompiam a sua actividade, ficando disponíveis para preparar as festas.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico




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