Carlos César: " É preciso remodelar PS e governo"

Publicado em 15 de Maio de 2009   
"Não é preciso mastigar mais". O presidente do governo regional dos Açores quer o recentramento do PS à esquerda. Para lutar pela maioria
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Carlos César, presidente do governo regional dos Açores desde 1996, quer o regresso de Manuel Alegre "a uma posição mais influente no PS". E defende que, havendo disponibilidade de Alegre para ser candidato a deputado, o PS deve despachar o acordo com urgência porque "é muito importante para o recentramento à esquerda do partido, para lutar pela maioria absoluta e para contrariar a síndrome de imunodeficiência ao bloco central", disse o próprio ao i.

"Não é preciso mastigar mais: devemos deglutir e digerir convenientemente as diferenças que dão forças ao PS. Acho que tudo isso tem que ser decidido com urgência, para o líder do PS se poder concentrar com tranquilidade na preparação da oferta eleitoral do PS - que deve passar por uma demonstração forte de renovação de ideias mas, sobretudo, do grupo parlamentar e do governo".

O aviso de "forte renovação" que César faz a Sócrates não é acompanhado por uma concretização de nomes. Carlos César recusa explicitar quem removia do grupo parlamentar ou do governo: "Há políticas que carecem de reformulação, é certo, mas há pessoas no parlamento e no governo que nada trouxeram de inovador e muito menos trarão se permanecerem", afirmou ao i. Relativamente às políticas, César quer o fim das taxas moderadoras nos internamentos e cirurgias, tal como defende Alegre.

O recentramento à esquerda que pede Carlos César deve ser desencadeado mesmo se Manuel Alegre decidir não integrar as listas de deputados. "Se Alegre não quiser ser candidato a deputado mas declarar não pretender sair do PS, o que é possível que aconteça, já é um sinal positivo que quer dizer que a 'residência oficial' da 'sua' esquerda é o Partido Socialista".

Mesmo se Manuel Alegre decidir ficar de fora das listas, é indispensável para César que a influência de Alegre regresse ao PS. "A caracterização do PS como um partido da esquerda progressista e plural sairia fragilizada sem a figura ou as ideias de Manuel Alegre, tal como tem ficado com o seu actual distanciamento". O auto-afastamento do PS por parte de Manuel Alegre "seria a ajuda que a direita ambiciona, já sem fazer segredo, e que o Bloco de Esquerda mais deseja".


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