Estados Unidos

We have a problem? Obama alivia empresas e carrega nos impostos sobre os ricos

por Sónia Cerdeira, Publicado em 02 de Fevereiro de 2010   
Entre as medidas de redução do défice para 8,3% Barack Obama decidiu abandonar o programa que previa voos espaciais até 2020
Opções
a- / a+
Entre a espada (do défice) e a parede (do desemprego), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi forçado a apresentar um Orçamento que fez da criação de postos de trabalho a sua prioridade absoluta para 2011. O líder norte-americano apresentou, ontem, um aumento de 3% do Orçamento do Estado para 2011 - 3,8 biliões de dólares (2,7 biliões de euros) -, e definiu políticas para reduzir o défice de 10,6% para para 8,3%. A fórmula para reduzir o défice será dividida em três passos: restaurar o pay-as-you-go, ou seja, o que for gasto num lado terá de ser compensado noutro, congelar todas as despesas não essenciais, e criar uma comissão fiscal para apresentar propostas mais concretas.

"A criação de emprego será a nossa prioridade número um em 2011. Colocaremos mais americanos de volta ao trabalho, reconstruindo a nossa infra- -estruturas por todo o país. Os verdadeiros motores da criação de emprego são as empresas norte-americanas. Proponho taxas de crédito para as ajudar a contratar novos trabalhadores, aumentar os salários e investir em novos planos e equipamentos", afirmou Obama. Apesar de em 2009 a administração Obama ter previsto que a taxa de desemprego não subiria além dos 8%, o desemprego acabou por rondar os 10%: este plano de criação de emprego vai custar 100 bilões de dólares (71,78 mil milhões de euros), mas nos próximos três anos a administração Obama prevê uma redução da taxa de desemprego de 2%.

Ajudar as pequenas e médias empresas é outra prioridade do presidente dos EUA: "Quero eliminar os impostos e taxas que são cobrados sobre ganhos de capital e mais-valias e ajudar as pequenas empresas a obter os empréstimos que precisam para abrir portas e expandir os seus negócios." Estes cortes nos impostos para as PME's, em conjunto com o aumento da despesa, faz com que o défice deste ano suba até aos 1,6 triliões de dólares (1,14 biliões de euros), o maior desde a II Guerra Mundial.

Outra proposta de Obama tenta recuperar dinheiro ao grande capital: "Proponho uma taxa para os grandes bancos para devolver os fundos utilizados para os bailouts", afirmou o Obama.

No discurso do "Estado da União", a semana passada, Obama comprometeu-se a congelar as despesas do governo federal, excepção feita às áreas da segurança social, saúde (Medicaire e Medicaid) e defesa. A julgar pelo orçamento apresentado, fez jus à promessa. E Robert Gates, secretário da Defesa, aparece como um dos grandes vencedores da administração. Para o ano fiscal de 2011 (em que estão ainda reflectidas as duas frentes de batalha no Afeganistão e no Iraque) o Pentágono terá um orçamento recorde de 708 biliões dólares (508,3 mil milhões de euros, ou três vezes o produto interno bruto português). A educação é outra área importante para Obama: verá os seus fundos aumentados em 7,5%.

Como a manta orçamental não estica, e o combate ao défice é uma prioridade, Obama prevê aumentar o número de zeros na coluna das receitas aumentando impostos sobre o rendimento: de 33% para 36% (para famílias que ganham mais de 200 mil dólares/ano) e de 35% para 39,6% (para casais com rendimentos superiores a 250 mil dólares). Ainda para reduzir o défice, Barack Obama decidiu cortar 120 programas, entre eles, o Constellation, que previa voos espaciais tripulados à Lua até 2020.


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close