Centenas de pessoas assistiram hoje à noite na Praça da Liberdade, Porto, à reconstituição da fracassada revolta republicana de 31 de janeiro de 1891.
O espetáculo, de cerca de meia hora, envolveu a participação de cerca de 50 atores e figurantes apeados e oito militares a cavalo, que simularam a proclamação da república e a batalha entre monárquicos e republicanos.
A maior parte da reconstituição decorreu no lado ocidental da Praça da Liberdade, sem barreiras entre assistentes e atores, que envergavam trajes usados na época por populares, burgueses e soldados.
Apenas os oito militares da GNR surgiram com trajes atuais e não com os que os elementos da Guarda Municipal do Porto usavam em 1891.
A reconstituição começou com a audição de vozes, gravadas previamente, simulando as conversas entre os militares que prepararam a concentração inicial dos revoltosos, na atual Praça da República, então Campo de Santo Ovídio.
A seguir, os atores e figurantes entraram em cena, com gritos de "Viva a República" e empunhando uma bandeira vermelha com centro verde.
A concentração decorreu à porta do edifício do Banco de Portugal, que simbolizou a demolida sede da Câmara do Porto onde foi proclamada a república.
Depois do ator António Reis recordar as palavras proferidas pelo chefe dos revoltosos, Alves da Veiga, foi lançado fogo de artifício do Palácio das Cardosas, em obras.
A batalha sangrenta entre tropas monárquicas e republicanas, que se seguiu à proclamação da república, incluiu uma descarga de um canhão da época, cedido pelo Museu Militar do Porto, e a simulação de disparos de fuzis.
A reconstituição, encenada por Norberto Barroca, foi encomendada pelo Ateneu Comercial do Porto ao Teatro Experimental do Porto e custeada em partes iguais pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República e Governo Civil do Porto.
Na apresentação do espetáculo, Norberto Barroca referiu que as verbas e o tempo disponibilizado para a preparação não permitiram ter mais do que cerca de 60 pessoas, representando 40 revoltosos e populares e 20 militares da Guarda da Câmara.
Os organizadores do espetáculo optaram por concentrar a reconstituição na Praça da Liberdade devido à ausência de um edifício adequado na Praça da Batalha, local onde, a par da Rua de Santo António, atual Rua de 31 de janeiro, decorreu o confronto entre monárquicos e republicanos.
A agência Lusa adoptou o novo acordo ortográfico.




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