Banca

Filho de Oliveira Costa continua a trabalhar no BPN

Publicado em 30 de Janeiro de 2010   
Administrador com o pelouro financeiro no período de gestão do pai, está agora na área de recuperação de crédito
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José Augusto Oliveira Costa, filho do único arguido no processo BPN que esteve detido preventivamente e continua sujeito a vigilância com pulseira electrónica, mantém-se em serviço no banco. Depois de ter exercido funções de direcção, está na área de recuperação de crédito - o que não deixa de ser irónico, tendo em conta que o pai e diversos outros administradores são acusados pelo Ministério Público de terem beneficiado, através do Banco Insular e de sociedades offshore, de empréstimos nunca pagos.

Quando Oliveira Costa deixou a presidência do BPN, em Fevereiro de 2008, o filho manteve funções de administração. Apesar de ter detido o pelouro financeiro, nunca chegou a ser chamado à comissão parlamentar de inquérito ao BPN nem consta da lista de testemunhas arroladas pelo Ministério Público na acusação aos 24 arguidos indiciados por crimes de burla agravada, branqueamento de capitais e fraude fiscal, entre outros. Quando foi detido, uma das medidas de coacção de Oliveira Costa foi a proibição de contactar o filho.

Com o pelouro financeiro, José Augusto Oliveira Costa acompanhava tudo o que se passava na sala de mercados, ou seja, as transacções e fluxos financeiros do BPN. O deputado Nuno Melo (CDS) chegou a requerer a sua audição no Parlamento, mas acabaria por prescindir desse testemunho porque, por limitações de prazos de actividade da comissão, o leque de pessoas a ouvir teve de ser reduzido.

Nomeação polémica O trajecto do filho do principal arguido no processo, detido à data do início da actividade da comissão de inquérito, levantou dúvidas no Parlamento. A 15 de Janeiro de 2009, quando foi ouvido Miguel Cadilhe (que assumiu a presidência entre Junho e Novembro de 2008), o deputado socialista Ricardo Rodrigues questionou a falta de procedimento disciplinar contra funcionários suspeitos de envolvimento em irregularidades. "O que se sabe é que, pelo contrário, alguns até tiveram o beneplácito para serem promovidos a directores, como é o caso do próprio filho do senhor doutor Oliveira Costa", afirmou Ricardo Rodrigues.

Depois de confirmar a designação para o lugar de director de organização, Miguel Cadilhe justificou não haver razões para desperdiçar as habilitações de José Augusto, "quadro com qualificação e experiência". "O senhor deputado considera que deveríamos, sem prova em contrário, não usar as capacidades de um quadro tão habilitado como aquele, ainda por cima numa direcção de retaguarda?", questionou Miguel Cadilhe.

Diferente foi a apreciação de Francisco Bandeira, que assumiu a presidência do BPN em Novembro de 2008. Poucos dias depois, chamou o filho de Oliveira Costa e destituiu-o do cargo de direcção, mas até agora não o afastou do banco. O i tentou ontem ouvir a administração do banco, sem êxito até à hora de fecho. Também não foi possível contactar José Augusto Oliveira Costa.

A filha mais velha de Oliveira Costa, Iolanda Maria, renunciou a todos os cargos de administração que mantinha em empresas da Sociedade Lusa de Negócios, dona do BPN, a 12 de Setembro de 2008, poucos dias antes da detenção do pai. Entre outras funções, Iolanda era vogal do conselho de administração da SLN-Novas Tecnologias SGPS.

Caso raro de longevidade em funções no BPN é Armando Fonseca Pinto, que se mantém como director de assuntos jurídicos. Advogado, Fonseca Pinto já era quadro da Soserfin quando Oliveira Costa adquiriu o BPN, e exerce funções no banco há mais de duas décadas. Foi administrador, ao lado de Oliveira Costa, com os pelouros do contencioso e recuperação de crédito e recursos humanos. Armando Fonseca Pinto participou em reuniões com o empresário El-Assir, que conduziu o ruinoso negócio da empresa Biometrics, em Porto Rico, sobre as quais testemunhou perante o Ministério Público. Com Filipe Paiva Cardoso


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