Dos que gostam: por dentro e por fora
O melhor do iPad é o preço, o processador rápido, o software de leitor de e-books, a qualidade do ecrã e do design, o formato tablet com peso-pluma e a possibilidade de substituir vários equipamentos.
É o preço mais agressivo de sempre. A Apple conseguiu apanhar o mercado de surpresa com os 499 a 699 dólares dos vários modelos, metade do que se previa. O intervalo de preços deixa o novo gadget na fronteira entre os portáteis mais baratos e os netbooks premium.
Harry McCracken, do Technologizer, escreveu ontem: “Por 499 dólares, o iPad é uma alternativa plausível ao netbook ou um upgrade ao iPod Touch. E até o iPad topo de gama vai custar 830 dólares, muito menos que o preço que toda a gente ‘sabia’ que o tablet da Apple iria custar [1000 dólares].”
O analista da Piper Jeffray, Gene Munster, acabou por subir a sua previsão de vendas dos iPads de dois para quatro milhões de unidades no primeiro ano apenas por causa do preço, que surpreendeu a consultora.
Tem um processador ultra-rápido. A Apple construiu o processador A4 de 1Ghz de raiz e acertou em cheio. A rapidez com que as aplicações são executadas no iPad foi elogiada por unanimidade.
A revista “Wired” testou e escreveu: “Se pensava que o navegador do iPhone era bom, vai adorar a versão do Safari para o tablet. Foi aumentado e alguns dos botões foram rearranjados para melhor se adaptarem ao ecrã de maiores dimensões. Nos nossos testes iniciais, a navegação na internet foi muito mais rápida que no iPhone.”
Mark Wilson também escreveu no Gizmodo: “A Apple não vendeu este ponto, mas é a maior vantagem do iPad: a velocidade. Parece pelo menos uma geração à frente do iPhone As esperas acabaram, o sistema operativo e as aplicações respondem tão rapidamente como se deseja. É a rodar entre o modo retrato (vertical) e paisagem (horizontal) que a “cavalagem” do processador se manifesta.” E o que disse a Business Insider? “A verdadeira revolução do iPad é o chip A4 que está por detrás.”
É um leitor de livros electrónicos a cores e mais realista. “A implementação dos livros electrónicos é o mais parecido possível com o acto de ler sem ter uma pilha de papéis na mão. Os efeitos visuais realmente ajudam na experiência”, ditou um dos especialistas do Engadget.
Vincent Nguyen, do SlashGear, explica: “A aplicação iBooks é rápida e límpida, e parece um avanço real sobre o monocromático Kindle. Só a cor já é uma boa adição.”
Rachel Metz, do “Huffington Post”, es-creve: “Parece uma óptima maneira de ler um livro enrolada no sofá. O ecrã é límpido e as páginas viram facilmente, de forma mais parecida com um livro real que os ecrãs de tinta electrónica usados em aparelhos como o Kindle.”
É um híbrido de maior qualidade. Steve Jobs falou numa nova categoria e é capaz de ter acertado; não se enquadra nos smartphones e não é um portátil tradicional. Durante uma viagem pode comportar-se como uma consola de jogos, a seguir passar para um leitor de livros electrónicos e depois servir para ver o e-mail e surfar no “New York Times”.
Rachel Metz opina: “Os meus sites favoritos pareceram fantásticos neste ecrã tão nítido, que tem 9,7 polegadas na diagonal, enquanto o iPhone tem apenas 3,5’. Tal como no iPhone, o ecrã do iPad é extremamente sensível ao toque dos dedos, o que torna muito fácil navegar em sites como o Facebook e seleccionar fotos e artigos que quero ler em sites de notícias.”
A revista “Wired” escreveu: “O ecrã de 9,7 polegadas com LED é maravilhoso. Apresenta imagens e grafismos limpos e nítidos, e tudo simplesmente ‘grita’ qualidade.”
O formato tablet faz sentido. “Os tablets já existem há algum tempo e falharam sempre. Este é um produto vencedor. É difícil argumentar contra [o iPad]. Posso usá-lo na sala de estar, na sala de aula, para trabalho menos exigentes e enquanto estou num café”, afirmou o analista Van Baker, da consultora Gartner, citado pela BBC.
Mike Gartenberg, vice-presidente da consultora Interpret, afirmou: “A Apple fez o que tinha de fazer. Deu uma razão para existir a este formato de portátil.” E o mais importante de tudo? “Está a aproveitar todo o ecossistema Apple”, isto é, trazendo para uma única plataforma o iPod, o iTunes, o multitoque e as aplicações.
A App Store vai ser uma mina de ouro. Sendo certo que quase todas as aplicações feitas para o iPhone, 140 mil, vão poder “esticar” para serem usadas no iPad, o grande apelo do tablet é o novo kit de desenvolvimento para os programadores. Só quando começarem a surgir as primeiras aplicações nativas para o iPad se poderão perceber as suas verdadeiras potencialidades.
“Isto vai ser importante para convencer os potenciais clientes de que o iPad é mais que um iPod Touch ou iPhone gigante (ou isto pensa a Apple). Ouvi as palavras “corrida ao ouro” várias vezes em relação ao mercado de software para o iPad, mas penso que ainda será preciso algum tempo para atingir um número de aplicações específicas semelhante ao do iPhone (140 mil), notou ontem Ben Lang, do site especialista Notebooks.com.
Dos que não gostam: por dentro e por fora
A lista de críticas é extensa e refere-se mais ao hardware
gnora o multitasking Isto é, não permite correr mais de uma aplicação ao mesmo tempo. Sempre que quiser passar de uma tarefa para outra, tem de fechar a anterior. E isto é típico dos telemóveis, não dos portáteis.
“É uma verdadeira desilusão. Todo este poder de processamento e tão pouco que se pode fazer em simultâneo. Não ter multitasking significa que não se pode ouvir a rádio online Pandora enquanto se trabalha no processador de texto Pages. É um verdadeiro revés”, dizia ontem o Engadget.
“Se a ideia é substituir os netbooks, como pode não ter multitasking? Não posso ter a minha aplicação do Twitter aberta ao mesmo tempo que o navegador de internet? Não posso ter o Messenger aberto ao mesmo tempo que o email? Estão a brincar comigo? Só isto já garante que não vou comprar este produto”, escreveu Adam Frucci no Gizmodo.
Não tem câmara nem faz chamadas. Pensava-se que uma das funcionalidades de arrasar do iPad seria a capacidade de fazer videochamadas, com uma câmara na frente e outra atrás para tirar fotos e fazer vídeos. Em vez disso, nada. Nem câmara, nem telefonemas ou sequer SMS.
Mike Melanson escreveu no ReadWriteWeb: “A falta de uma câmara no iPad é um problema sério. Vamos mesmo ter de andar com uma câmara à parte e de a ligar ao iPad para a conectar à internet? E quanto ao Skype, sem dúvida um dos favoritos no que toca a manter o contacto com os amigos e família que estão longe? As videochamadas estão fora de questão.”
No Mashable, Barb Dybwad foi clara: “A sério, não tem câmara? Tipo, nenhuma mesmo? Já foi estranho no iPod Touch, mas omitir uma câmara aqui é curioso. Significa que não há vídeo iChat, não há videochamadas no Skype, nada de tirar uma foto e pô-la no no Flickr/Faceook/Picasa/etc. O iPad é claramente um aparelho centrado no consumo de media, não na sua criação.
Não tem porta USB nem HDMI. É aqui que a blogosfera acha o iPad ridículo. Sim, há acessórios que podem resolver o problema de descarregar uma pen para dentro do tablet da Apple (resolvendo o problema do USB por 30 dólares), mas quando ligar o iPad à televisão (HDMI)... nada.
“É capaz de vir a ter uma saída de vídeo, através do aparelho conector. Mas não ter saída HDMI? Como é que se liga o iPad ao monitor de alta definição? A resposta rápida: não liga. A audiência máxima para um iPad é de duas pessoas. Quer mais? Use o portátil ou o computador de mesa.” O conselho é de Charlie Sorret na “Wired”.
“Embora não haja dúvidas de que o iPad terá adeptos fiéis, não me consigo ver a usar um. Pelo menos enquanto não tiver multitasking, porta USB e saída HDMI. Não consigo pensar numa razão para trocar o meu netbook por um aparelho que não consegue fazer o mesmo”, afirmava Robert Evans no I4U.com.
Não tem flash nem GPS na versão Wi-Fi. A ausência de suporte para tecnologia flash, da empresa Adobe, significa que muito do conteúdo da internet não estará acessível. Para os norte-americanos, isso corta a hipótese de aceder ao Hulu.com, uma espécie de YouTube.
Jason Cross queixou-se disso na “PC World”: “Para o melhor e para o pior, simplesmente não é a verdadeira web se não tiver suporte para o Flash da Adobe. Nós queremos aceder ao Hulu no iPad. É algo quase aceitável num equipamento do tamanho de um telemóvel, mas não num ecrã de 9,7 polegadas”.
Quanto ao GPS, possível na versão 3G, Barb Dybwad escreve no Mashable que “quase de certeza vai precisar de uma conta de telemóvel activa para ter a informação de posicionamento. Isso significa que, se deixar de pagar pelo serviço de dados ou entrar numa zona “morta” ou de baixa conectividade, o GPS vai provavelmente falhar”. Curiosamente, o iPad tem uma bússola, tal como o iPhone 3GS.
O sistema operativo é o mesmo do iPhone. O iPad tem sido chamado “iPhone gigante” e não é apenas pelo aspecto exterior. Apesar do processador potente, o sistema operativo é o iPhone 3.2 – e não o dos computadores Macintosh, o X. Porque é que isto interessa? Bom, talvez seja por isso que não tem multitasking.
Alguns analistas perceberam que estas tecnologias faltam por causa do preço. Por 499 dólares, a Apple não conseguiu fazer mais.




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