Salários

2010 não é para aumentos: empresas alinham com o governo

Publicado em 29 de Janeiro de 2010   
Os trabalhadores vão continuar sem notícias animadoras. Aumentos serão até 1%
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O frio que se sente actualmente no país alastrou-se para os salários da função pública, começando agora a esticar-se para as empresas públicas e privadas. Os ministérios que tutelam as várias empresas públicas deverão nos próximos dias dar orientações para que a postura de congelamento seja seguida. Esta é, pelo menos, a expectativa dos gestores públicos contactados pelo i com base na política que tem sido seguida no Ministério das Obras Públicas e em particular no sector dos transportes.

O ministério, então tutelado por Mário Lino, dava instruções às administrações das empresas sobre o processo de negociação salarial. A regra era de que o aumento médio não deveria ultrapassar o aprovado para a função pública. Em 2009, a orientação foi limitar aumentos, mas por pressão sindical acabou-se por aplicar os 2,9% da função pública nalgumas empresas. Noutras, como a Estradas de Portugal, a actualização com base nos aumentos dos funcionários públicos é automática para alguns efectivos.

Por isso a decisão de Sócrates em subir 2,9% os salários em 2009, trouxe algumas dificuldades de tesouraria para as empresas públicas que foram obrigadas a seguir o mote. As empresas desta área aguardam a breve prazo indicação da tutela, agora nas mãos de António Mendonça. Fonte oficial do ministério das Obras Públicas diz que até agora não foram dadas instruções. Já o ministério das Finanças não respondeu. Contactadas, tanto a TAP como os CTT, por exemplo, avançaram que ainda não tomaram qualquer decisão sobre salários. Em 2009 a companhia aérea manteve as remunerações congeladas, ao passo que os Correios subiram os salários em 2% e 2,2%.

Privados apertam No sector empresarial as notícias também estão longe de famosas. A ronda feita pelo i junto dos principais sectores assim o vaticina. Na distribuição, onde estão algumas das maiores empresas portuguesas, como a Sonae ou a Jerónimo Martins, a correcção salarial proposta para 2010 não ultrapassa 1%, segundo José António Rousseau, director-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED).

Com um salário médio mensal a rondar os 820 euros brutos os sindicatos pediram aos patrões aumentos em valores específicos: 30 a 40 euros. "Não se chegou a acordo, vamos agora para a fase de conciliação no Ministério do Trabalho", avança Rousseau.

Na construção o cenário também está longe de agradar. "O processo [negocial] já arrancou", aponta José Costa Tavares da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas (AECOPS) ao i. "A 23 de Dezembro fizemos chegar aos sindicatos uma proposta de alterações no clausulado que incluiu um documento com fundamentos económicos a justificar que, face à crise no sector, não havia condições para avançar com qualquer proposta", revela, explicando de seguida que as empresas de construção já estão a sofrer com correcções salariais. "Com o novo salário mínimo já houve um acréscimo de 1,7% no total salarial das empresas", explica. Em resposta a UGT pediu aumentos de pelo menos 3%. "Vamos tentar mostrar algum quadro de abertura nas negociações que começam no início de Fevereiro", disse o responsável da AECOPS.

No campo das energias, a contenção também é palavra de ordem, ainda que de duas formas distintas. Na EDP a proposta de aumento feita pela administração é de 1% e tem por base a inflação prevista para este ano, valor que compara com a subida de 2,6% nos salários registada em 2009. Contudo, as negociações ainda estão em curso. Já na Galp Energia, o processo negocial com um dos principais sindicatos arranca para a semana. Mas numa recente reunião com a comissão de trabalhadores, onde esteve o presidente Ferreira de Oliveira, um administrador defendeu aumentos zero para este ano. Em 2009 os trabalhadores da Galp tiveram actualizações entre 2,7% e 3,4%, tendo ficado de fora os altos quadros.

Já a Portugal Telecom ainda não definiu a política para 2010, apurou o i. Porém, e tendo em conta a que tem sido seguido pela empresa nos último quatro anos - maioria dos salários congelados -, este ano não deverá ser diferente.

Banca oferece 0,5% Na banca a discussão sobre salários já está em curso. Os sindicatos pediram 3% em Dezembro, os bancos propuseram 0,5%. Contraproposta dos trabalhadores: Mais 2,1% de ordenados. A negociação continua em Fevereiro. "Já demos a ideia que percebemos a situação económica em que nos encontramos e que temos disponibilidade e todo o interesse em chegar a acordo rapidamente. Mas 0,5% é francamente baixo", aponta Delmiro Correia, do Sindicato Bancário do Sul e Ilhas ao i. Com S.O.


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