O empresário Filipe de Botton afirmou hoje, em entrevista à Lusa, que a tributação sobre bónus e rendimentos variáveis de administradores e gestores "é um 'slogan' político totalmente demagógico".
"É uma medida totalmente de campanha eleitoral como se nós, através da tributação dos bónus dos gestores, fossemos endireitar as finanças públicas o que é totalmente demagógico", considerou o empresário.
A proposta de Lei do Orçamento do Estado (OE), entregue terça-feira na Assembleia da República, prevê a cobrança de uma taxa autónoma de IRC de 35 por cento sobre os gastos ou encargos relativos a bónus e outras remunerações variáveis pagas a gestores, administradores ou gerentes de empresas, quando representem mais de 25 por cento da remuneração anual e ultrapassem os 27.500 euros.
De acordo com Filipe de Botton "é uma medida totalmente solta", pois "não é ela que vai com certeza resolver os problemas do país".
"Se resolvesse seria bom porque significava que Portugal era um país rico e onde já não estávamos preocupados com os pobres e temos que nos preocupar, de facto, em trazer as pessoas com menos rendimentos para um nível de vida mais aceitável e isso passa, sobretudo, por fazer uma contenção nas despesas", considerou o empresário.
A Proposta de Lei prevê ainda para este ano a aplicação de uma taxa autónoma de 50 por cento no IRC sobre os encargos que as instituições de crédito e sociedades financeiras pagarem de bónus e outras remunerações variáveis a administradores ou gerentes.
Apesar de não apoiar esta medida, Filipe de Botton destacou que o OE "tem um lado positivo" pelo facto de ser "maioritariamente apoiado pelos grandes partidos com assento no Parlamento e isso é importantíssimo, mais do que para a actuação do OE 'per si' e para as pequenas jogadas políticas, mas para a imagem que demonstra para o exterior", sobretudo perante as agências de rating.
No entanto, ressalvou o empresário, o OE "não é tão ambicioso como deveria ser neste momento". "Não há tempo para continuarmos a salvar o país com medidas paliativas, são necessárias medidas de fundo que passam, sobretudo, pela contenção da despesa sem pensar apenas no lado da receita".
Assumindo-se como "fortemente apologista de medidas violentas", Filipe de Botton defendeu que Portugal deveria seguir o exemplo da Irlanda, tomando "medidas violentas de uma vez e assumindo os custos dessas medidas violentas".




Rating: 0.0
Actividade em ionline