O economista e especialista em Saúde Jorge Simões considerou hoje “razoável” o crescimento de 10 por cento da despesa do Ministério da Saúde em 2010, mas sublinhou que exige “um grande esforço” dos decisores políticos e dos profissionais de saúde.
“Parece-me um crescimento razoável, atendendo ao crescimento do próprio país e à sua situação económica e financeira”, disse à agência Lusa Jorge Simões, comentando a proposta do Orçamento do Estado, entregue terça-feira pelo Governo no Parlamento.
Segundo a proposta, a despesa prevista do Ministério da Saúde (MS) vai crescer 10 por cento em 2010, para os 9,5 mil milhões de euros, face à estimativa de execução de 2009 (8,6 mil milhões de euros).
Os maiores gastos do MS são na aquisição de bens e serviços correntes (6823,6 milhões de euros) e em despesas com pessoal (1466,2 milhões de euros), que representam um peso relativo no total da despesa de 71,8 por cento e 15,4 por cento, respectivamente
A este propósito, o antigo consultor para a Saúde do Presidente Jorge Sampaio afirmou que deve ser tomada em consideração o tipo de despesas que são feitas ao Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente as despesas com pessoal e com medicamentos.
“É necessário haver uma contenção grande, concretamente por parte dos hospitais, em relação ao crescimento, quer dos salários, quer das horas extraordinárias”, comentou.
O Governo pretende limitar, este ano, as despesas com medicamentos a um ponto percentual acima da inflação e a dois pontos nos medicamentos fornecidos nos hospitais, no âmbito do esforço de contenção orçamental que o Ministério de Ana Jorge tem vindo a fazer.
Para Jorge Simões, “não há grandes alternativas” em relação aos medicamentos: “No passado foi possível conter a despesa com o crescimento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e é necessário que em 2010 e nos anos seguintes haja uma enorme preocupação com o crescimento da despesa”.
E é fundamental em relação aos medicamentos, quer no que respeita à parte do Serviço Nacional de Saúde, quer no que respeita às famílias, disse, salientando o “enorme esforço das famílias” para pagar a factura nas farmácias.
Jorge Simões congratulou-se com a aposta do Governo nas Tecnologias de Informação e Comunicação, assumidas como “prioridades centrais do Ministério da Saúde” para 2010.
“Fiquei satisfeito com o facto de, no Orçamento, haver uma forte aposta nas tecnologias de informação e comunicação, concretamente em relação ao registo de sistema electrónico”, sublinhou.
Para o especialista, as TIC “podem não só levar a ganhos significativos de eficiência no funcionamento do SNS como também facilitar o acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde, à marcação de consultas por via electrónica”.
“Há uma revolução na relação entre os doentes e os serviços de saúde que é preciso percorrer a uma velocidade muito superior àquela que tem sido percorrida nos últimos anos”, rematou à Lusa.




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