Música

É o fim do rock'n'roll. Keith Richards está sóbrio

por Luís Leal Miranda, Publicado em 28 de Janeiro de 2010   
O guitarrista dos Rolling Stones não bebe há quatro meses. Foi uma decisão do coração - e não só do fígado
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A questão que se põe agora é: poderá o rock'n'roll continuar? Quando um dos seus embaixadores deixa de lado o combustível que alimentou uma carreira de 47 anos - e o deixou conservado como um fruto seco -, algo está errado. Neste caso, o fígado.

Se Richards não obedecesse às ordens do médico, esta página não seria um epitáfio sarcástico, mas o obituário sério de um dos melhores e mais influentes guitarristas do mundo. Mas não foi só a iminente falência do sistema hepático que motivou a decisão do rolling stone.

"Já houve três médicos que me disseram: 'Se você continua a beber como bebe, está morto daqui a seis meses.' Fui ao funeral de todos." Foi este o comentário de Keith Richards sobre os seus excessos, ainda em 2007. A mudança de comportamento tem duas explicações: um médico de família mais convincente terá conseguido explicar finalmente a importância do fígado e o peso da amizade com o colega de estrada, Ronnie Wood.

Richards teve a oportunidade de, nos últimos meses, testemunhar de um lugar privilegiado o descarrilamento da vida pessoal de Ronnie devido ao álcool. Ao tablóide inglês "The Sun", um amigo de Ri- chards assegurou: "Ele presenciou a decadência de Ronnie e não gostou do que viu."

Wood não é de ferro O álcool destruiu o casamento do outro guitarrista dos Stones. Ronnie Wood deixou a mulher Jo por uma modelo adolescente, Katia Ivanova, que disse basta aos excessos do músico. Desesperado, o músico tentou reatar com a ex-namorada da maneira menos educada possível: entrou sem bater na casa da modelo (arrombou a porta) e acabou por ser detido por suspeitas de assalto. Katia Ivanova veio mais tarde enumerar os mínimos olímpicos de um dia com Ronnie Wood: uma garrafa de whisky por dia, várias linhas de cocaína em cadeia e mais de 50 cigarros perfaziam a dieta do sexagenário.

Hoje Ronnie continua a sair à noite: passeia uma namorada nova debaixo do braço a cada dia, mas ninguém o vê de copo na mão.

Keith Richards, viciado em heroína durante décadas, assegurou estar afastado das drogas duras por achar que a qualidade destas tinha diminuído drasticamente ao longo dos anos. Mas ao álcool manteve--se fiel: era mais ou menos como aquelas pessoas que podem comer tudo e nunca engordam, mas com os destilados. Com mais de 60 anos de idade, Keith não tinha ressacas, dores de cabeça, estômago ou fígado. Daí o à vontade com que toda a vida esticou a corda - que quase se rompeu quando, há quatro anos, a subida a uma palmeira das ilhas Fiji terminou numa queda aparatosa e numa hemorragia cerebral.

A confirmar-se esta tendência, o rock'n'roll perde um dos seus maiores bebedores e deixa o Olimpo da pop dominado por consumidores de chá como Bono (U2) ou Chris Martin (Coldplay).

"Não há garantias de que ele se mantenha assim para sempre", disse a mesma fonte ao "The Sun", "mas está a sentir-se muito bem neste momento." Pode ser que se habitue.


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