França propõe abolição parcial do uso de burka em espaços públicos
Publicado em 27 de Janeiro de 2010
Nicolas Sarkozy defende que "o uso do véu muçulmano contraria a ideia de dignidade feminina"
O parlamento francês propôs ontem a abolição parcial do uso de burka ou niqab no país. As novas regras vão proibir o uso das vestes femininas muçulmanas em repartições administrativas, hospitais, transportes públicos e estabelecimentos de ensino. Mantém-se, porém, a possibilidade de usar o véu integral na rua.
O debate não é de agora. Em 2004 o executivo de Nicolas Sarkozy aprovou uma lei que acabou com o uso de qualquer símbolo religioso em locais públicos, especialmete nas escolas. Mas a discussão não foi consensual. Num total de 32 deputados, as opiniões divergiram. O comunista André Gerin, líder da comissão parlamentar, sublinhou que o uso de burka "é totalmente contraditório às regras da República Francesa, que se baseia em princípios claramente democráticos e livres". E argumentou que "cobrir o rosto significa a negação da identidade e da personalidade femininas e é um símbolo de repressão e fundamentalismo". A teoria vem sustentar a intervenção do presidente françês que, em 2006, afirmou: "não podemos aceitar que no nosso país haja mulheres prisioneiras atrás de uma rede, esta não é a nossa ideia de dignidade".
Os socialistas, no entanto, dividiram-se. Se por uma lado consideram que a nova lei se vai debater com dificuldades na implementação, por outro lado temem que a imposição de abolir o véu possa estigmatizar a mulher islâmica, impedindo-a de frequentar locais públicos.
Mas para que não restem dúvidas, Iman Hassen Chalghoumi, representante da comunidade islâmica em Paris, equilibra a balança e lembra que o Al Corão não obriga as mulheres a tapar a cara, defendendo mesmo que "é ridículo que o continuem a fazer em França".
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