Narcotráfico

Terrorismo. As ideologias agarraram-se à droga

Publicado em 27 de Janeiro de 2010   
O narcotráfico envolve antigos e novos movimentos de libertação. A ideologia foi substituída por carregamentos de droga
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O financiamento de grupos terroristas através do tráfico de droga é uma preocupação crescente dos governos de todo o mundo e já chegou a Portugal. Movimentos como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) ou o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) estão sob a mira de diversas polícias internacionais, não sendo a Polícia Judiciária excepção.

Em Portugal, vários elementos detidos em apreensões de droga foram referenciados como pertencendo ou tendo conexões com os movimentos colombiano e curdo. Dois tipos de drogas aparecem citados nos relatórios policiais: cocaína, movimentada através das FARC, e heroína, proveniente das redes do PKK.

NarcoJihad No mês passado, a Drug Enforcement Administration (DEA) - órgão policial encarregado da repressão e controlo de narcóticos nos EUA - ordenou a detenção de Oumar Issa, Harouna Touré e Idriss Abelrahman por conspiração para cometer actos de narcoterrorismo e providenciar o financiamento de organizações terroristas.

Segundo as acusações, os detidos preparavam-se para transportar cocaína nas zonas Oeste e Norte de África, para financiar três organizações terroristas - a Al- Qaeda, a Al-Qaeda no Magrebe islâmico (AQIM) e as FARC. Os suspeitos foram detidos no Gana a 16 de Dezembro de 2009, a pedido dos EUA, e foram posteriormente extraditados. Vão agora ser presentes ao Tribunal Federal de Manhattan em Nova Iorque.

Segundo o jornal "The Washington Times", o Partido de Deus (Hezbollah), uma organização com com sede no Líbano, usa as mesmas rotas dos mexicanos, no Sul dos EUA, para traficar estupefacientes e financiar a organização.

Ópio em grande As políticas contra o tráfico de droga, que foram intensificadas entre 2001 a 2009, não só não reduziram o cultivo do ópio (que dá origem à heroína), como também não impediram o financiamento dos talibãs. Deste cenário dá conta o relatório "Narco- Jihad: Drug Trafficking and Security in Afghanistan and Pakistan" (Narco-Jihad: Tráfico de Droga e Segurança no Afeganistão e Paquistão), elaborado pelo National Bureau of Asian Research - uma organização não-governamental americana.

O documento, divulgado este mês, identifica o Afeganistão como o local de cultivo de ópio. Já o Paquistão, o Irão, a Turquia ou a Ásia Central são referenciados como locais de transformação e como rotas de passagem do produto. Já o National Bureau of Asian Research refere que estas redes de tráfico têm ligações locais entre os senhores da guerra, rebeldes e políticos corruptos e ligações regionais a organizações terroristas como a Al-Qaeda, talibãs e cartéis de droga.

No que diz respeito aos vínculos internacionais, o relatório aponta os grandes cartéis de droga e as redes globais de branqueamento de capitais. O documento refere ainda que estas redes de lavagem de dinheiro são difíceis de controlar, uma vez que muitas utilizam o sistema Hawala, também conhecido por Hundi, que assenta em transferências informais de dinheiro, com base na confiança de cada um dos elementos que participam voluntariamente no esquema.

Segundo a Agência das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), 92% do ópio produzido no mundo provém do Afeganistão. O país alimenta, sozinho, um mercado de 65 milhões de dólares. Consumida por 15 milhões de toxicodependentes, a droga faz cerca de 100 mil mortos por ano.


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