O senhor Feliz

Publicado em 26 de Janeiro de 2010   
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FRANCISCO Feliz tem 13 irmãos, "só contando com os de pai e mãe". Conduziu a equipa do i ao longo das seis horas de viagem entre Santo Domingo e Port-au-Prince - e agora faz a viagem de regresso, sempre com a música bem alta no rádio do carro. O dominicano fala pouco, mas lá vai dizendo que foi a sua "querida irmã que está em Boston" quem lhe deu o Ford Windstar GL, a gasolina e gás, que nos transporta. Ainda que seja de poucas palavras, compreende-se que desconfia dos haitianos e que não aposta muito no futuro do país vizinho: "Estão a ser ajudados por muita gente, muitos países, a ver se aproveitam agora depois do terramoto." Chama a atenção para a limpeza das estradas da República Dominicana em contraste com as da capital haitiana. No regresso somos diversas vezes mandados parar por patrulhas policiais - no caso, militares ao lado de polícias à paisana. Vêem a cor da nossa pele e mandam-nos seguir, quase sem conversa. Francisco diz que estão à procura de haitianos, também por causa do tão falado tráfico de crianças. Entende que já há muitos no seu país, "demasiados" para o seu gosto. Mais de um milhão, acrescenta, a maioria "corta cana" ou "trabalha nas obras". O apelido Feliz é motivo de conversa e Francisco explica que há "muitas famílias que se chamam Feliz, há muitos Felizes, muchos, muchos". E ri com o trocadilho. São um povo feliz os dominicanos, ao contrário dos haitianos.

Enviado especial ao Haiti


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