Gripe A
OMS acusada do "maior escândalo do século"
Publicado em 26 de Janeiro de 2010
Deputado alemão acusa Organização Mundial da Saúde de ter ligações perigosas com laboratórios na gestão da gripe A
A polémica sobre a actuação da Organização Mundial da Saúde (OMS) durante a pandemia de gripe A tem todos os ingredientes para alimentar a discussão: um vírus que afinal tem uma letalidade baixa, uma gripe que acabou por ser benigna e muitos milhões de euros gastos em vacinas que vários países querem agora devolver. Mas o debate de urgência no Conselho Europeu previsto para quinta-feira para analisar alegados conflitos de interesses entre OMS e os laboratórios farmacêuticos foi chumbado ontem pelos parlamentares: 96 votos a favor e 82 contra não chegaram para a necessária maioria de dois terços.
Fica adiada e ainda sem nova data para realizar-se a discussão de um relatório apresentado pelo presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa. Para o alemão Wolfand Wodarg, o H1N1 não é responsável pela maior pandemia, mas pelo "maior escândalo médico do século". A organização responsável pelas políticas de saúde pública mundiais teria "relações impróprias" com a indústria que veio a beneficiar da venda de vacinas.
As acusações recaem sobre especialistas consultores da OMS que terão ligações a laboratórios, entre eles o holandês Albert Osterhaus, da Erasmus University em Roterdão, que ficou conhecido no seu país como o "senhor gripe". Mas nenhum dado concreto sobre estes conflitos de interesses foi ainda tornado público. A OMS emitiu ontem um comunicado afirmando que "dar aconselhamento independente aos Estados-membros" é um das suas funções. "A política e resposta da OMS para a pandemia de gripe A não foi influenciada de forma imprópria pela indústria." Diz que "olha para o conflito de interesses dos seus peritos de forma muito séria" e as acusações sobre a gripe A "são cientificamente erradas e historicamente incorrectas".
Para o director-geral da Saúde português, Francisco George, a OMS não está em causa. "Na saúde pública, baseamo--nos em dois princípios: o da precaução e o da evidência científica", lembra. E terá sido a precaução, e as medidas decretadas pela OMS, a ter "um efeito positivo no impacto" da pandemia. O tema será hoje discutido numa audição pública da Comissão de Assuntos Sociais, Saúde e Família, à margem da assembleia parlamentar do Conselho Europeu.
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.
Artigo: OMS acusada do "maior escândalo do século"
Actividade em ionline