O cabeça de lista do PSD às europeias, Paulo Rangel, acusou hoje o Governo de estar a bloquear as verdas europeias disponíveis para o Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) por não cumprir as suas obrigações legais com a União Europeia.
"Neste momento, a taxa de execução do QREN não chega aos quatro por cento, quando já passaram 28 meses da sua entrada em vigor. Dos cinco a seis mil milhões que deviam já ter sido investidos foram gastos apenas 800 milhões", sublinhou.
Segundo o deputado, Sócrates ainda não entregou em Bruxelas os sistemas de gestão e controlo, também chamados manuais de procedimento, necessários para desbloquear as verbas.
"Milhares de milhões de euros estão guardados num cofre em Bruxelas à espera de serem gastos 28 meses depois do programa entrar em vigor. E Portugal continua sem o direito de validar as suas despesas por pura incompetência", afirmou o candidato.
Rangel diz que o impasse é "um escândalo nacional", que prejudica empresas, autarquitas e os portugueses em geral. "Em Bruxelas ninguém entende isto, acham que os portugueses são uns perdulários", sustentou.
"Não andamos a dormir, sabemos o que aconteceu: o Governo guardou o dinheiro para o fim, para que 2009 fosse uma festa contínua. Mas veio a crise e tudo mudou. Se Portugal tivesse feito os investimentos sem lógica eleitoralista, hoje estaríamos muito melhor", disse, considerando que "a situação é gravíssima, particularmente no Ministério da Agricultura".
Daí que tenha defendido o voto no PSD como fundamental para "a viragem necessária para acordar as pessoas, adormecidas nos sofás a fazer zapping".
"Não cometemos nenhum pecado capital para merecermos o engenheiro Sócrates", disse, acreditando que "os portugueses não estão condenados".
O candidato voltou a criticar a estratégia do Governo para combater a crise, nomeadamente a sua recusa em diminuir a carga fiscal e a aposta "em obras públicas como o TGV, aeroporto e mais auto-estradas, quando já temos a maior taxa delas por quilómetro quadrado e por habitante".
Defendeu investimento público na recuperação de escolas, apesar de criticar o modelo seguido pelo Governo que, diz, impede as pequenas e médias empresas de participar no projecto, e na reabilitação urbana e dos centros históricos.
Rangel reafirmou o seu projecto "Vasco da Gama", uma proposta para a criação de "um Erasmus para primeiro emprego na Europa" que provocou o famoso caso "farinha Maizena" entre o candidato e o ministro da Economia e considerou que o Modelo Social Europeu existente na Europa foi criado pelos partidos que integram o PPE, o grupo europeu onde o PSD está incluído.




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