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Ponte 25 de Abril vai para obras pela primeira vez em dez anos

Publicado em 23 de Janeiro de 2010   
Trabalhos devem começar no Verão e durar cerca de 15 meses. A intervenção é de reparação e conservação da ponte
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É uma das grandes portas de entrada em Lisboa. Pela ponte 25 de Abril passam todos os dias mais de 150 mil carros nos dois sentidos. Este ano, a ponte vai ter a primeira grande intervenção ao fim de dez anos, depois de concluído o reforço da estrutura para receber o comboio. Em causa estão obras de grande conservação e reparação que vão durar cerca de 15 meses.

A Estradas de Portugal (EP) aprovou na semana passada o projecto da intervenção que irá ser objecto de um concurso público internacional a lançar nas próximas semanas. Se tudo correr como o calendarizado, as obras poderão arrancar já neste Verão. Apesar de ser o período de maior congestionamento rodoviário na ponte 25 de Abril, em Agosto - o mês sem portagens - o movimento ultrapassa os 165 mil carros/dia, Eduardo Gomes, vice-presidente da EP, não antecipa condicionamentos o tráfego rodoviário. O eventual impacto resultará da necessidade de movimentar equipamentos e homens, e da distracção dos condutores com os operários a trabalhar na ponte. Não se esperam pois os mega-engarrafamentos que no Verão de 2002 entupiram os acessos Sul por causa da substituição das juntas de dilatação.

Já no que diz respeito à circulação ferroviária, a EP admite mais constrangimentos. As intervenções têm de ser feitas fora das horas de circulação dos comboios suburbanos, à noite, e esta é uma matéria de mais difícil compatibilização, admite Eduardo Gomes, na medida em que os trabalhos exigem que se desligue a corrente eléctrica que faz circular os comboios, por razões de segurança. A EP tem vindo a trabalhar com as operadoras rodoviária e ferroviária da ponte (Lusoponte e Fertagus) para minimizar eventuais impactos na circulação.

A obra tem um valor de referência de cinco milhões de euros e é um dos projectos mais importantes do orçamento de 2010 da Estradas de Portugal para conservação e manutenção de obras de arte (túneis e viadutos) que é de 32 milhões de euros. Entre os trabalhos a executar estão pequenas reparações nos elementos que constituem a infra-estrutura da ponte e do viaduto de acesso Norte. A necessidade desta intervenção foi identificada através da inspecção permanente realizada por técnicos especialistas de várias que vão desde a construção metálica, à protecção corrosiva e à ao betão armado. Ao mesmo tempo serão introduzidas beneficiações ao nível das condições de acessibilidade e de segurança.

De fora desta empreitada fica a pintura da ponte, cujo custo pode ascender aos 25 milhões de euros, e que foi efectuada na última grande intervenção.

Substituição do tabuleiro sem data É o tema tabu da ponte 25 de Abril. Todos admitem que o tabuleiro rodoviário terá que ser substituído algum dia. Eduardo Gomes, vice-presidente da EP com o pelouro da conservação, concorda. Mas garante que o tema não é urgente. Em média, em pontes equivalentes nos Estados Unidos os tabuleiros têm a duração de 50 anos, mas os responsáveis da EP alertam para o facto da 25 de Abril (a funcionar à 43 anos) não estar sujeita ao mesmo tipo de condições atmosféricas das estruturas americanas, pelo que o limite temporal "não é linear". A redução do ruído associado à componente metálica do tabuleiro, sobretudo quando cresce a pressão imobiliária no acesso Norte (Alcântara) é outra motivação, não relacionada com segurança ou fiabilidade, para uma intervenção.

A EP é responsável pela monitorização e fiscalização permanentes de todos os aspectos estruturais da ponte 25 de Abril, para o qual conta com a colaboração do Instituto de Soldadadura e Qualidade e essa é uma matéria que está também a ser seguida pelo Instituto Nacional das Infra-estruturas Rodoviárias (INIR). A mudança do tabuleiro rodoviário é uma matéria sensível devido ao impacto que terá no já difícil trânsito rodoviário da 25 de Abril, pelo que é provável que uma intervenção só aconteça depois de estar operacional uma alternativa - neste caso a única prevista é a ponte Chelas/Barreiro cuja parte rodoviária só deverá estar operacional em 2015.


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