Cavaco acalma Jardim antes da visita de Sócrates à Madeira

Publicado em 14 de Maio de 2009   
Alberto João Jardim acedeu ao apelo de Cavaco e vai receber o primeiro-ministro "de braços abertos". A contenção nas palavras está garantida
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Belém quer paz entre o governo central e a Madeira e Alberto João Jardim vai corresponder ao apelo de Cavaco Silva: sossego e silêncio. O presidente do governo regional já disse que não faria quaisquer declarações depois da reunião com José Sócrates e prepara, para receber o primeiro-ministro, uma extraordinária contenção.

O anúncio da primeira deslocação de Sócrates, enquanto primeiro-ministro, à aldeia gaulesa do regime foi acompanhado por Belém com apelos à moderação verbal do presidente do governo regional. Alberto João Jardim correspondeu imediatamente ? está pronto a receber José Sócrates na sexta-feira de "braços abertos" porque fica "feliz sempre que há uma visita de Estado à Madeira". Flores à chegada e absoluta contenção à partida: as palavras de boas-vindas foram acompanhadas pela promessa de um voto de silêncio: o mais prolixo dirigente político nacional já afirmou aos jornalistas que não fará quaisquer declarações, nem antes nem depois da reunião que vai ter com o primeiro-ministro no Palácio de S. Lourenço, que é a sede do representante da República na Madeira.

Guilherme Silva, o homem-forte de Alberto João Jardim em Lisboa (deputado eleito pela Madeira, é vice-presidente da Assembleia da República), espera "que o gesto do primeiro-ministro seja o assumir de uma posição institucional que corresponda ao apelo que o Presidente da República tem feito no sentido de que seja assegurado o melhor relacionamento entre órgãos de soberania e órgãos de governo próprio da região".

A Madeira está pronta a corresponder ao apelo do Presidente da República: "Do lado da Madeira haverá todo o procedimento e comportamento amistoso, na tradição da nossa hospitalidade e de uma grande abertura de coração que ultrapassa rancores", disse ontem Guilherme Silva ao i.

Não se espera, portanto quaisquer actos de protesto por parte do presidente do governo regional em relação a José Sócrates, com quem mantém o litígio da Lei das Finanças Regionais, que, na óptica do governo madeirense, prejudica a região. "Quando se recebe alguém não é o momento próprio" para protestos ou "actos de hostilidade", diz Guilherme Silva. Agora o conflito está lá e permanecerá "enquanto não houver abertura desta maioria e deste primeiro-ministro para repor um tratamento mais equitativo relativamente às duas regiões autónomas, que está a ter implicações financeiras muito grandes na Madeira".

O líder do PS Madeira, João Carlos Gouveia, também considera que "os braços abertos" de Jardim na recepção a José Sócrates não significam o ponto final na polémica que tem pautado a relação entre o presidente do Governo Regional da Madeira e o primeiro-ministro.

"Acredito que José Sócrates vai ser muito bem recebido pelos habitantes da região, como acontece sempre que há visitas de Estado. Mas, do ponto de vista político, a máquina partidária do PSD continua a ter um comportamento indecoroso, como fica provado pelas palavras e atitudes do seu líder parlamentar", defendeu em declarações ao i, numa alusão ao facto de Jaime Ramos ter anunciado que não acompanhará a visita de Sócrates, por ter agendado uma visita de trabalho à ilha de Porto Santo.

Ainda assim, João Carlos Gouveia saúda o "timing perfeito" da visita de Sócrates à Madeira. "Há uma carga simbólica tremenda, porque a região atravessa uma crise estrutural profunda, com um modelo de desenvolvimento esgotado", argumenta o líder do PS Madeira.

José Sócrates chega ao Funchal na manhã de sexta-feira. No Palácio de S. Lourenço recebe as autoridades regionais: representante da República, presidente do governo regional, presidente da Assembleia Legislativa Regional. Depois almoça com empresários locais ligados ao turismo e visita uma escola, no âmbito do programa e-escolinhas - vulgo, distribuição de computadores Magalhães. com Adriano Nobre


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