“Este livro é uma resposta àqueles que não creditam em si?” Foi desta forma que Judite de Sousa abriu a entrevista, na RTP1, a Pedro Passos Coelho. A jornalista referia-se ao livro “Mudar”, da autoria do social-democrata, que foi hoje apresentado em Lisboa.
O único social-democrata que se assumiu como candidato a líder do PSD afirmou que este livro serve para as pessoas saberem que “uma pessoa como eu tem uma solução para o país.” “Não sinto necessidade de provar que tenho ideias”, acrescentou, em resposta àqueles que duvidam da sua credibilidade para estar à frente do partido e do país. Este livro traz “uma base concreta de discussão”, explica. Passos Coelho diz, em resumo, que o livro serve para as pessoas saberem o que ele pensa.
“Se o PSD quer ter futuro não pode ficar agarrado aos que cá estão há 20 anos” disse ainda. Passos Coelho admitiu também que não quer afastar ninguém do partido, como lhe fizeram a ele.
Numa entrevista que marca o tiro de partida da campanha de Passos Coelho para a liderança do PSD, o candidato atirou tiros em várias direcções: para dentro e para fora. Para Manuela Ferreira Leite, para Marcelo Rebelo de Sousa e até para Cavaco Silva. Nessa trajectória puxou o passado e reagiu pela primeira vez à sua exclusão como deputado das listas do PSD à Assembleia da República.
"Não quero fazer o mesmo que me fizeram a mim", acusou, acrescentando que "todas as pessoas são necessárias".
Já sobre Marcelo Rebelo de Sousa guardou, de novo, o desafio. O professor "tem a obrigação de se candidatar", porque a postura do comentador político na noite das eleições legislativas de Setembro, relembra Passos Coelho, foi contra o agora candidato.
"Na noite das eleições disse que o PSD tinha de arranjar maneira de eu não ser presidente", recordou. Por essa razão e para manter a coerência, acrescenta por isso Passos Coelho, Marcelo deve candidatar-se.
Por fim, num discurso já dirigido ao país, Passos Coelho marcou a distância da actual direcção do partido para criticar o modo como a liderança do PSD tem levado as negociações do Orçamento do Estado para 2010.
"Tem havido opacidade. Não sei o que o PSD está a negociar com o governo", disse. E na discussão, continuou Passos Coelho, devia haver referência aos grandes investimentos públicos.
"Os grandes investimentos públicos não estão no Orçamento", começou por dizer para depois acrescentar: "Como é possível que o PSD trocar os próximos 30 anos para evitar a crise política?", questionou.
Pouco clara ficou a posição do candidato quanto ao sentido de voto que o PSD deveria adoptar quanto ao Orçamento do Estado. Depois de dar a entender que o dossier das grandes obras públicas era importante para as negociações, não quis dizer se o Orçamento devia por isso ser rejeitado pelo partido.
"Não anunciaria o voto contra sem conhecer o Orçamento do Estado", respondeu a Judite de Sousa quando a jornalista o confrontou directamente sobre a aprovação do documento.
Por fim, já num comentário à recandidatura de Cavaco Silva à Presidência da República - que saudou -, Passos Coelho criticou a direcção sem nunca dizer o nome de Manuela Ferreira Leite ou Cavaco Silva.
"O PSD não é um peão ao serviço do Presidente da República", declarou. Para depois acrescentar: "Comigo essa dúvida não existiria com certeza".




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