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Há um novo Candelabro a iluminar a Baixa do Porto

Publicado em 22 de Janeiro de 2010   
Abriu no início do mês e está rapidamente a transformar-se na nova coqueluche da cidade. Instalado numa antiga loja de alfarrabista, o Café Candelabro preservou a integridade do espaço e já lançou o hábito do copo de fim de tarde
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São 20 horas de sexta-feira e o Café Candelabro está à pinha. Grupos de amigos reúnem-se à volta das mesas, em animada cavaqueira, e bebem um copo antes de seguirem para o jantar. Este hábito civilizado da happy hour nunca pegou muito no Porto, apesar de várias tentativas nesse sentido, nos últimos anos, com bares que funcionavam ao fim da tarde mas que não tinham clientela. O Café Candelabro abriu no início de Janeiro e, no espaço de dias, já conseguiu esta proeza. Um dos motivos poderá ser a proximidade de uma série de novas lojas na zona, que está a criar alguma movida também diurna.

O Candelabro, como é conhecido, é um sítio muito bonito e relaxante. Ocupa uma esquina do Largo Mompilher, uma pequena área pitoresca e algo parisiense da Baixa portuense, com uma capela desenhada por Nasoni, um quiosque já classificado como património e algumas árvores. No lado da Rua da Conceição, mantêm-se as duas montras com livros e revistas vintage, sobretudo sobre cinema, e a porta. No lado do largo, dois grandes janelões abrem-se sobre a rua e deixam entrar a luz natural durante a tarde.

No início, o espaço foi uma loja de rações para cavalo e, a partir de 1952, a Livraria Candelabro, um dos mais conhecidos alfarrabistas da cidade. No ano passado, esta loja mudou para a Rua de Cedofeita e foi então que Miguel Seabra e Hugo Brito decidiram arrancar com este simpático café-bar-livraria. O edifício foi comprado pelo trisavô deles, que à época chegou a ser dono do resto desse lado da Rua da Conceição. Hoje em dia, os primos vivem ambos na parte superior do prédio e decidiram fazer do rés-do- -chão o seu local de trabalho... Miguel fez Belas Artes e tem estado envolvido em alguns projectos artísticos (como o espaço Artmosferas, já encerrado), enquanto Hugo tirou Arqueologia mas trabalhou desde sempre em hotelaria, uma vez que o seu pai tem vários bares e restaurantes no Algarve.

"O espaço fica como estava", decidiram os sócios. O projecto de recuperação foi do arquitecto António Pedro Valente (que já tinha feito uma operação semelhante com a Casa de Ló, ali na zona), e respeita ao máximo a singularidade do local. O mosaico a preto e branco original, do início do séc. XX, continua a cobrir o chão. As mesas e cadeiras foram sendo adquiridas em lojas de objectos usados e a iluminação é outra mais-valia. Vários candeeiros sóbrios descem do tecto sobre as mesas, com uma luz muito fraca. O espaço foi pintado de cinza escuro, o que ainda confere uma sensação mais cosy ao ambiente.

Nas paredes há estantes com livros e revistas de todas as épocas: sobretudo sobre cinema, mas também de fotografia ou teatro. E ainda algumas edições limitadas. Uns quantos são só para consulta, mas a maior parte está à venda. A listagem com tudo o que está disponível fica pronta dentro de dias.

Aqui não há DJ. O sistema de som está na parte de dentro do balcão e a música é ao gosto dos donos, e fruída com calma. "A ideia é pôr um disco e deixá-lo correr", explicam. As escolhas podem contemplar Bob Dylan, algum rock alternativo dos anos 80, Tom Waits, a voz grave de Nina Simone ou os Morphine. "Sempre quisemos ter um espaço onde pudéssemos ouvir Morphine", confessam.

Bom e barato, o serviço é também uma agradável surpresa. "O tipo de serviço que queremos ter é de bar de hotel, com uma atenção mais cuidada nas bebidas, mas com preços bastante acessíveis - os praticados em qualquer café", explica Miguel. Por exemplo, as bebidas destiladas custam €3,50, a cerveja e o vinho a copo €1,50 e uma torrada €1. A torrada é servida com manteiga e compotas, enquanto a tosta mista é mais cuidada e comida com faca e garfo. Também há sanduíches, bolo de chocolate e pastelaria variada. Ah! E pode-se fumar à vontade, com uma adequada extracção de fumos. E tem internet wireless. "É um café que se prolonga para a noite, com serviço de bar", dizem os primos. E que está a correr muito bem. Ao fim da tarde ou ao início da noite, o Candelabro é neste momento um spot obrigatório no Porto.

Rua da Conceição, 3, Porto. 966 984 250 http://cafecandelabro.blogspot.com. De segunda-feira a sábado, das 13h00 às 2h00. Encerra ao domingo.


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