Quando, esta madrugada, a terra voltou a tremer no Haiti, as poucas pessoas que continuam a viver nas suas casas foram para as ruas, temendo que agora fosse a sua vez de "serem castigadas".
Na cidade, a população desconhece a existência de feridos, mas os testemunhos dão conta de que muitas das casas que não ruíram com o primeiro sismo não resistiram à nova investida, ficando agora destruídas.
"Quando sentiram o sismo, as pessoas saíram todas para as ruas com medo que as casas caíssem", contou Johnny, de 22 anos, à agência Lusa, acrescentando que apenas receia pelo filho de seis meses.
Já Standley estava na cama quando sentiu a casa a abanar. "Tive sorte duas vezes", contou à Lusa o homem de 39 anos, que escapara ileso ao sismo de há uma semana.
No entanto, não querendo correr riscos, a maioria da população opta por viver na rua.
É o caso de Miguel, que permanece desde dia 12 num acampamento de tendas improvisadas com paus e panos, que acolhe cerca de 300 pessoas.
"Senti o tremor de terra tal como da primeira vez e tive medo. Foi um pânico", descreveu Miguel.
Também Surin Camesize - cuja casa ficou destruída pelo primeiro terramoto e que agora vive na casa de um primo que faleceu no sismo - se assustou, começando a rezar "pela mãe, pela irmã e por todos os amigos".
A ansiedade de saber se estavam todos bem levou-a ao local onde estudou, a Escola Nacional Madre Teresa de Calcutá.
"Vim aqui ver os meus amigos que morreram. Tudo isto faz-me sofrer", declarou, referindo-se aos 89 alunos que pereceram vítimas do abalo e cujos cadáveres ainda estão sob os escombros.
No chão da escola há sapatos, livros, cadernos... sinais de quem tentou escapar com vida, e Surin encontrou alguns amigos que, tal como ela, acorreram ao local.
De resto, a vida em Port-au-Prince corre normalmente, com os pequenos comerciantes a encher as ruas, vendendo de tudo um pouco: comida, roupa, bebidas e até medicamentos.




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