Izmailov. O diabo não veste Prada, mas calça vermelho

por Bruno Roseiro, Publicado em 20 de Janeiro de 2010   
Russo tinha botas fetiche, e até chegaram a procurar mais pares na Feira da Ladra. Agora mudou, recuperou as chuteiras antigas, e até parece outro
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Joe DiMaggio, um dos melhores jogadores de basebol de sempre, achou piada a uma corista da Broadway e convidou-a para jantar na véspera de um jogo. Os New York Yankees venceram, DiMaggio fez uma exibição monstruosa e, a partir daí, repetiu a dose sempre que se avizinhava um encontro. O fetiche durou mais duas semanas, mas, após a primeira derrota, caiu. Chegara ao fim o mito. No desporto em geral, e no futebol em particular, as rotinas e as superstições multiplicam-se. Das mais simples, como entrar no relvado com o pé direito, benzer-se ou jogar com determinado número na camisola, às mais pitorescas, como urinar no mesmo urinol, não tocar em frango durante os estágios ou tomar decisões técnicas de acordo com a astrologia. Izmailov, um dos impulsionadores da redenção do Sporting, teve cabeça para superar a maldição do número 7 nos leões - que atormentou as passagens de Sá Pinto, Leandro, Iordanov, Delfim e Niculae pelo clube -, curou um tique nervoso no pescoço e debelou as dores no joelho. Só não evitou que nova superstição chegasse aos pés: agora, com botas vermelhas da cor do Lokomotiv (antiga e eventual futura equipa), o médio retomou o trilho das boas exibições e não há adversário capaz de o fazer descarrilar.

Nos primeiros tempos em Alvalade, o czar ainda variava de chuteiras, até que o branco deixou de estar na moda e o russo se apaixonou por umas botas de um verde-seco. Exagerado? Nem por isso. As mesmas chuteiras foram procuradas em muitas lojas do país e, ao que consta, na própria Feira da Ladra, sábado de manhã. Entretanto, com o acumular de azares, a crença foi perdendo fulgor. Que fazer? Encontrar outras. Ou recorrer às botas secundárias. A verdade é que, com o diabo russo que não veste Prada mas calça vermelho, o Sporting só ganha. E o próprio jogador cai muito menos.

VIRAGEM O internacional de Leste é um dos elementos mais acarinhados do plantel. A ideia de sair para a Rússia está ultrapassada e no Verão, caso o Lokomotiv volte à carga, os responsáveis admitem rever a situação contratual (receberia 2 milhões de euros, mais do dobro do que aufere hoje). O médio voltou a dar valor ao que mais aprecia no país - o clima, a arquitectura e a escassez de trânsito... em comparação com Moscovo - e por vezes pedem-lhe que doseie o esforço físico. Afinal fala-se de um workaholic que anseia pelo regresso das férias para melhorar a condição, que se recusou a receber a medalha de finalista vencido da Taça da Liga, em 2008, e que admitiu não receber três meses de ordenado por ter estado parado após a operação (algo que o clube não aceitou).

MODAS Crenças religiosas à parte, o balneário leonino nem é propenso a superstições - mas no que toca a botas coloridas parece um desfile. Principal protagonista: Veloso, o menino-bonito do grupo. Já teve botas pretas, brancas, laranja, azuis, verdes, vermelhas, prateadas e até rosa, mas agora calça amarelo e personalizado (tem a expressão "bless me" na chuteira esquerda). Ah, e tenta ser o último a entrar em campo. O problema é quando Vukcevic também é titular.


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