O Navio Escola Sagres zarpou esta manhã de Lisboa para uma viagem de onze meses à volta do mundo, para preparar futuros "oficiais da marinha e levar Portugal às comunidades nacionais" espalhadas pelo globo.
A Sagres vai atravessar três Oceanos, visitar vários continentes e participar em dezenas de eventos e representações durante os doze meses desta viagem de circum-navegação, afirmou à agência Lusa o comandante, Proença Mendes.
A principal função é formar jovens da Escola Naval, como "futuros lideres e melhores homens", explicou o comandante com orgulho na sua tripulação, reforçando o "importante papel da Sagres como embaixadora de Portugal no mundo".
A Sagres desloca-se primeiro para o Brasil, para dar a volta à América do Sul, depois vai subir pela costa do Pacifico das Américas até São Diego, para as comemorações do 10 de Junho junto da Comunidade Portuguesa.
O Navio Escola vai navegar posteriormente para Tóquio, para participar nas "celebrações dos 150 anos do tratado de paz, amizade e comercial entre Portugal e o Japão", precisou Proença Mendes.
Macau, Timor, Singapura, Malaca, Goa, são outras paragens da Sagres para representar o país em termos de "diplomacia económica", lembrando a recepção do Governo português ao Presidente brasileiro, Lula da Silva, como "embaixada de Portugal no mundo", explicou o comandante.
A bordo seguem 150 marinheiros, a maioria jovens, que hoje deixaram as famílias no cais de Alcântara, mas com a firmeza de que "vai valer a pena conhecer o mundo", disse o guarda marinha João Belo, que pela primeira vez integra a tripulação do navio.
O ajudante Tiago Belo, que também pela primeira vez embarca na Sagres, defende a "experiencia de conhecer novos países, pessoas, e a oportunidade única de viajar" em representação de Portugal, ressalvando, no entanto, que "não existe nada como a própria casa".
A família não veio hoje a Alcântara, porque o ajudante não gosta de despedidas e argumenta que assim está "sempre presente" durante a volta ao mundo que "não é para todos".
A bordo estão também quatro pipas de Moscatel, com 2400 litros, mas o comandante garante que são para manter intactas até Dezembro deste ano e que vão chegar a Lisboa.
Durante esta viagem, a Sagres visitará o Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Equador, México, Estados Unidos, Japão, China, com paragem em Macau, Coreia do Sul, Indonésia, Timor-Leste, Singapura, Tailândia, Malásia, União Indiana, Egipto e Argélia.
Em termos de logística, a medida é a tonelada, com 125 de água, três de bacalhau, duas e meia de batatas, outras tantas de carne, duas de peixe e outras duas entre cebolas e fruta.
Esta viagem é a terceira em volta do mundo do navio da Armada portuguesa, com a primeira a realizar-se em 1979 e a segunda em 1984, com uma guarnição de nove oficiais, 16 sargentos e 114 praças, além de várias viagens a sortear pelos apostadores do jogo de sorte Euromilhões.
O Navio Escola Sagres tem 70 metros de comprimento e foi construído em 1937, tem três mastros que suportam 23 velas, com 1971 metros quadrados de pano, e que lhe conferem uma velocidade de 17 nós às 1893 toneladas de peso.




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