Negócios
"Estou de volta": Rendeiro começa a investir fora de Portugal
por Martim Avillez Figueiredo e Ana Suspiro, Publicado em 19 de Janeiro de 2010
Os negócios promovidos pelo ex-banqueiro passam pelo Brasil, Estados Unidos, Macau e Reino Unido. Em Portugal, Rendeiro considera que há poucas oportunidades
João Rendeiro, o ex-presidente e fundador do Banco Privado Português, (BPP) está de volta ao mundo dos negócios. Pouco mais de um ano após ter abandonado qualquer cargo no BPP, em pleno colapso do banco, João Rendeiro conta ao i que está a trabalhar na prospecção e montagem de operações de fusão e aquisição fora de Portugal.
Brasil, Turquia, Estados Unidos, Macau e Reino Unido, são os mercados escolhidos pelo ex-líder do BPP, "tudo geografias onde tinha contactos e velhos amigos". João Rendeiro prefere para já não revelar os sectores nem as operações concretas, mas garante que já há negócios fechados e que têm alguma dimensão, - "todos acima dos 50 milhões de euros"- , e passam por várias áreas de actividade.
O ex-banqueiro assegura ainda que estes negócios são o resultado da sua iniciativa. A estratégia é: "falar, puxar pela cabeça, retomar contactos, insistir e sobretudo ter criatividade para ver o que não é óbvio", diz o fundador do Banco Privado Português. A promoção destas operações não envolve capitais do próprio João Rendeiro, mas este garante que os rendimentos desta actividade já lhe permitem "ganhar a vida e manter o nível de vida da minha família". Quanto ao mercado português, Rendeiro considera que "há poucas oportunidades e que se vive um cenário de grande dificuldade".
Sobre o futuro do Banco Privado Português, cujos clientes têm as contas congeladas desde Dezembro de 2008, o fundador do banco remete para o comunicado da semana passada, no qual se recusa a "ser o bode expiatório" de quem se deixou paralisar por agendas próprias. Nesta tomada de posição, o ex-presidente do BPP explica as medidas que tomou quando se confrontou com a grave situação do banco, logo após o colapso dos mercados, e responsabiliza o Banco de Portugal, a gestão liderada por Adão da Fonseca (e nomeada pelo regulador bancário) e o Ministério das Finanças pelo impasse em que está o BPP e os activos dos seus clientes.
João Rendeiro é ainda um accionista relevante (mais de 10%) da Privado Holding, empresa que detém o BPP e que tem estado a trabalhar numa solução para a viabilização da instituição, um processo que não pode avançar enquanto não se encontrar uma resposta para os clientes do retorno absoluto. Além da indefinição em relação ao futuro do BPP, o ex-banqueiro ainda tem de aguardar pelo desfecho do processo judicial em que foi constituído arguido por suspeitas que recaem sobre a sua actividade enquanto esteve na administração da instituição (ver texto do lado).
"Morte lenta" não é surpresa João Rendeiro não ficou surpreendido com o alerta da agência de rating Moddy's, segundo a qual Portugal corre o risco de morte lenta. O empresário lembra que o definhamento da economia nacional "descoberto" pela agência internacional já tinha sido sublinhado há anos pelo economista Hernâni Lopes. Porém, realça, "basta vir alguém do estrangeiro" dizê-lo, para "passarmos a acreditar mais do que antes". Apesar do diagnóstico, Rendeiro diz que não vai sair do país, porque "a localização é irrelevante" para os negócios que está a promover.
O regresso do ex-presidente do BPP não se fica pelo mundo dos negócios. "Estou de volta, a trabalhar, a ganhar e a escrever um livro". O livro sobre a crise financeira de 2008 e o seu impacto em Portugal deverá estar pronto no próximo ano. "É um fenómeno que conheci bem e no qual posso também aplicar, alem da prática, a minha experiencia académica" (doutoramento na Universidade do Sussex). Em plena crise financeira, e em vésperas da intervenção pública no BPP, Rendeiro publicou o livro "Testemunho de um Banqueiro: a história de quem venceu nos mercados". Com Ana Rita Guerra
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