Presidenciais

Manuel Alegre ao i: "É uma maçada para quem não gosta"

Publicado em 18 de Janeiro de 2010   
Manuel Alegre não vai pressionar o PS para ter apoio oficial. "As coisas estão claras", diz. E desvaloriza os críticos: "São sempre os mesmos"
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O tabu terminou sexta-feira com o anúncio da disponibilidade de Manuel Alegre para uma nova candidatura presidencial. Como se esperava. E foi também sem surpresa que a polémica reacendeu, no fim-de-semana, com as notícias sobre as divisões no PS quanto ao possível apoio oficial do partido.
Vitalino Canas, José Lello e Vítor Ramalho foram os porta-vozes das críticas e dos avisos sobre as divisões que Alegre pode gerar entre os socialistas. Mas o candidato desvaloriza: "As opiniões menos favoráveis são sempre dos mesmos", disse ao i. "Eu sei que é uma maçada para quem não gosta, mas é um facto consumado: a candidatura arrancou e está no terreno", resumiu Manuel Alegre, quando confrontado com as reacções que dão corpo às divergências socialistas.
As críticas têm como denominadores comuns a candidatura "independente" de Alegre nas eleições presidenciais de 2006 - contra o então candidato oficial do PS, Mário Soares - e as posições que o poeta assumiu contra as políticas do governo de Sócrates, no final do seu mandato de deputado na anterior legislatura.
Manuel Alegre rejeita alimentar a polémica e prefere valorizar "os apoios já recebidos de muitas estruturas do PS em todo o país". "Sublinho a presença de quatro presidentes de Câmara do Algarve no jantar em que anunciei a minha disponibilidade. E também os apoios do líder do PS/Algarve, do presidente da Federação de Lisboa e de pessoas como Carlos César, Vera Jardim ou Maria de Belém", enumerou Alegre, revelando ainda ter recebido "várias manifestações de apreço" por parte de emigrantes portugueses.
Assumindo-se como rosto de "uma candidatura da esquerda" à Presidência da República, o histórico socialista defende, aliás, que o movimento em torno da sua disponibilidade para disputar as eleições com Cavaco Silva "já está congregada" dentro do próprio PS. Porém, as únicas reacções oficiais do PS oscilam entre o silêncio de José Sócrates e o "respeito" do líder parlamentar, Francisco Assis, pela iniciativa de Alegre. "Não acho que tenha sido precipitado. É a manifestação de vontade numa pessoa que quer ser Presidente da República. Compreendo que o tenha feito neste tempo, mas o PS também tem o seu timing para tomar uma decisão", explicou Assis em declarações ao i.
Uma posição que também merece o respeito de Manuel Alegre. Sobretudo porque, segundo o próprio, as questões sobre o provável apoio formal do PS à sua candidatura devem ser geridas com naturalidade. "As coisas estão claras e eu não vou pressionar ninguém: os órgãos oficiais do PS pronunciam-se quando quiserem", garante o candidato. Fora desta equação estará, segundo Alegre, a ideia de que um eventual apoio imediato de José Sócrates à sua candidatura possa provocar constrangimentos nas relações institucionais entre o primeiro-ministro e o Presidente da República até ao fim do mandato de Cavaco Silva. "Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Isso é politiquice pura, não faz qualquer sentido", defende.
Satisfeito com o apoio já expresso publicamente pelo coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, à sua candidatura, Alegre desvaloriza também a renitência do PCP em apoiá-lo nesta fase. "Tradicionalmente, o PCP apresenta sempre o seu candidato e só depois decide se vai a votos. Já aconteceu irem até ao fim e também já aconteceu desistirem. Mas nunca a esquerda perdeu umas eleições presidenciais por causa do PCP, como ficou demonstrado em 1986, na vitória de Soares contra Freitas do Amaral", recordou Alegre.
Depois de ter formalizado na sexta-feira a sua disponibilidade para candidatar-se à Presidência da República, durante um jantar com apoiantes, em Portimão, a agenda presidencial de Alegre prossegue nas próximas semanas no Porto, Coimbra, Bragança e Castelo Branco. Rumo a Belém, mesmo que ainda à espera do PS.

 

Com Sónia Cerdeira.



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