O dirigente socialista Vitalino Canas afirmou hoje que uma candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República "dividirá seriamente" o partido, preferindo nomes capazes de conquistar votos ao centro e à esquerda, como Ferro Rodrigues e António Guterres.
"Uma candidatura de Manuel Alegre dividirá seriamente o Partido Socialista", afirmou Vitalino Canas, em declarações à Agência Lusa, a propósito da disponibilidade manifestada sexta-feira à noite por Manuel Alegre para se candidatar às eleições presidenciais do próximo ano.
Segundo o ex-porta-voz do PS, que ressalvou estar a falar a título pessoal, o partido deveria tentar candidatos como Ferro Rodrigues ou António Guterres, "nomes incontestáveis dentro do partido e que o uniriam".
"São pessoas que teriam capacidade de ir captar votos ao centro e à esquerda, necessários para ganhar uma eleição presidencial", sublinhou, acrescentando: "O PS deveria apresentar um candidato forte e a minha inclinação não é de facto para o dr. Manuel Alegre."
Por outro lado, o militante socialista recordou que sempre que o PS apresentou candidatos susceptíveis de unir o próprio partido, designadamente nomes que já tiveram funções de alta responsabilidade, as possibilidades de ganhar tornam-se mais sérias.
"Isso já aconteceu com Mário Soares e Jorge Sampaio", exemplificou.
Vitalino Canas disse ainda que a legitimidade da disponibilidade manifestada por Alegre "não está em causa", mas criticou a altura escolhida pelo 'histórico' socialista para o anúncio.
"Se Manuel Alegre deseja ter apoios do PS creio que o 'timing' não é adequado já que é manifesto que o PS não fez ainda nenhuma reflexão sobre o assunto. O anúncio é precipitado", afirmou.
O Partido Socialista anunciou hoje ao final da manhã que "respeita e regista" a disponibilidade de Manuel Alegre, mas remeteu para mais tarde uma decisão sobre esta matéria, após a aprovação do Orçamento de Estado.




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