A pirataria marítima aumentou 39 por cento em 2009, para 406 casos, o número mais elevado dos últimos seis anos, com a Somália a registar mais de metade dos ataques, segundo um relatório divulgado hoje em Kuala Lumpur.
O Centro de Informação de Pirataria do Departamento Marítimo Internacional, com sede na Malásia, indicou no relatório que o número de ataques de piratas aumentou em 2009 pelo terceiro ano consecutivo, depois de 239 casos em 2006, 263 em 2007 e 293 em 2008.
Só em 2003 os ataques de piratas tinham excedido os 400 casos, de acordo com o Centro de Informação de Pirataria do Departamento Marítimo Internacional.
Pottengal Mukundan, daquela organização internacional, defendeu que as "forças navais internacionais desempenham um papel fundamental na prevenção da pirataria", sobretudo na costa da Somália, sendo "vital que permaneçam na região".
No caso da Somália, os piratas no Golfo de Aden efectuaram 217 dos ataques globais em 2009, quase o dobro dos registados em 2008, em que efectuaram 111 actos de pirataria.
Desde Outubro do ano passado, foram notificados 33 casos de ataques a embarcações mercantes por piratas somalis, de que resultaram 13 navios apreendidos.
O Centro de Informação de Pirataria indica ainda no relatório que o "nível de violência dos piratas aumentou", referindo que 120 navios foram atacados com armas de fogo, de que resultaram oito tripulantes mortos e 68 feridos, além de 1052 membros de tripulações feitos reféns.
O documento alerta ainda para 28 casos de pirataria ao largo da Nigéria, referidos como "uma situação perigosa", revelando ainda uma situação em crescimento na América do Sul com 37 actos de pirataria, contra 14 registados em 2008, em que os navios foram atacados enquanto estavam fundeados ou atracados nos portos.
No Bangladesh foram registados 17 ataques, no mar da China Meridional foram efectuados 13 actos de pirataria e no Estreito de Singapura os piratas tomaram nove embarcações.
O único caso em que o número de ataques a navios baixou foi na Indonésia, que de 28 situações de sequestro em 2008 diminuiu para 15 actos de pirataria no ano passado.
Portugal participa na força internacional de combate à pirataria com a fragata "Álvares Cabral", que integra a operação "Ocean Shield" como navio-almirante da força da Aliança Atlântica "Standing NATO Maritime Group One" (SNMG1), desde 9 de Novembro.
A missão tem como objectivo o combate directo à pirataria e a protecção à navegação mercante, ao largo da costa Leste somaliana e que se estende do Corno de África às ilhas Seichelles, numa das zonas do planeta com maior tráfego marítimo.
Os três navios que integram a força SNMG1 são a fragata portuguesa "Álvares Cabral", o navio norte-americano "Donald Cook" e o navio canadiano "Fredericton", de acordo com a Marinha Portuguesa.




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