Peritos já tinham alertado para elevado risco sísmico na ilha
Publicado em 14 de Janeiro de 2010
Durante a 18.a Conferência Geológica das Caraíbas, em Março de 2008, cinco cientistas subiram ao palco para apresentar um estudo que deixava avisos claros: a ilha de La Españiola – dois terços deste território são a República Dominicana e o restante o Haiti – está em cima de uma falha, a Enriquillo-Plantain Garden, que representa um “enorme risco sísmico”.
“Já na altura estávamos preocupados”, disse ontem à CNN um dos autores do relatório, Paul Mann. “Oproblema destas falhas é que podem manter-se adormecidas durante centenas de anos.” Na terça-feira voltaram a acordar para sacudir o Haiti com um sismo de 7.0 na escala de Richter. “É muito difícil prever o acontecimento de um evento destes”, prossegue Paul Mann, do Instituto de Geofísica da Universidade do Texas.
Aárea é caracterizada pelo especialista como uma das “mais activas do mundo” e, por isso, “nenhum geólogo deverá ter ficado surpreso” com o sismo de terça-feira. Outro especialista, Michael Blanpeid, dos serviços sismográficos americanos, diz que o Haiti está “no meio de duas placas tectónicas”, a Norte-Americana e a do Caribe. “As duas estão a esmagar La Españiola e, quando isso acontece, há sismos.”
Nos últimos 500 anos, pelos menos 12 sismos de magnitude igual ou superior a 7.0 na escala de Richter atingiram a ilha de La Españiola, Porto Rico, ou Ilhas Virgens americanas.
De volta ao presente, há um dado que preocupa o especialista: a proximidade do epicentro – a 16 quilómetros de Port-au-Prince – de uma zona densamente povoada e estruturalmente débil. “Por estar tão próximo da capital, porque a cidade é tão populosa e porque o país é tão pobre, com casas tão mal construídas, pode provocar baixas muito significativas”, diz Mann.
Há, porém, uma dimensão da pobreza que joga a favor dos habitantes de Port-au-Prince: uma linha de construção baixa. Gonçalo Venâncio
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