Campbell. Blair não deve desculpas por guerra no Iraque
Publicado em 14 de Janeiro de 2010
O porta-voz do governo de Blair garante que o país deve estar orgulhoso do seu trabalho no Iraque
Na primeira grande audiência da comissão de inquérito à guerra no Iraque, Alastair Campbell manteve a fidelidade demonstrada durante os nove anos como porta-voz do governo de Tony Blair. "Defendo cada uma das palavras escritas no dossiê [sobre a existência de armas de destruição em massa no Iraque]", disse Campbell, acrescentando que o Reino Unido se deve sentir "extremamente orgulhoso" da sua influência nas mudanças ocorridas no país.
Ouvido durante cinco horas, o controverso porta-voz garantiu que o ex-primeiro-ministro britânico "acreditava genuinamente" que o país tinha armas químicas e biológicas. Em entrevista ao i, publicada dia 9 de Maio, Campbell explica que o maior erro da era Blair - o apoio à invasão do Iraque - foi uma decisão acertada. "Na altura, Blair recebeu um fluxo constante de informação secreta que dizia que as armas estavam no Iraque. Ele tinha de assumir uma posição."
Sobre o relatório elaborado pelos serviços britânicos de inteligência, no qual afirmava que Bagdade tinha armas químicas e biológicas e capacidade para lançar um ataque em 45 minutos, Campbell negou que o governo tenha exagerado para persuadir a opinião pública de que a guerra seria a única opção. Para Campbell, o dossiê preparado pelo governo britânico poderia ter sido "mais claro", mas não "deturpou" a ameaça representada pelas armas do então presidente iraquiano Saddam Hussein. Quanto aos polémicos "45 minutos", o porta-voz salientou que este foi um dado ao qual não deram "muita atenção", embora tenha sido o mais repetido pela imprensa britânica.
Apesar de negar que a invasão tenha sido lançada para derrubar o presidente iraquiano ou que tenha sido acordada numa visita de Blair ao rancho do presidente George W. Bush, no Texas, Campbell acabou por revelar que o ex-primeiro-ministro britânico enviou várias cartas a Bush no sentido de lhe garantir o apoio militar britânico para afastar Saddam Hussein, embora a notícia tenha saído deturpada para os media.
corte nas Forças Armadas Entretanto, um think tank militar prevê que as forças armadas britânicas sofram um corte até 20%, devido à insuficiência de fundos. Segundo um relatório do Royal United Services Institute, espera-se que o número de militares diminua de 175 mil para cerca de 140 mil, até 2016. Malcolm Chalmers, autor do relatório explicou que o orçamento do Ministério da Defesa deve cair pelo menos 11%, aumentando a probabilidade de cortes no sector.
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