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Astronautas. Ir ao espaço não faz bem aos ossos - vídeo

Publicado em 13 de Janeiro de 2010   
Especialista em bioastronaútica falou ontem sobre os desafios de Marte no Liceu Camões, em Lisboa
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O Espaço não é lugar para aventuras. Larry Young, antigo astronauta da NASA, não tem uma visão romântica da exploração espacial. Trabalhou no programa Apollo e treinou dois anos no Johnson Space Center, mas nunca saiu da Terra. Acabou por se especializar em bioastronáutica, disciplina que estuda o efeito dos voos espaciais no homem. Ontem esteve na Escola Secundária de Camões, em Lisboa, ao abrigo do programa Professores do MIT Vão à Escola (MIT, da sigla inglesa de Massachusetts Institute of Technology), para uma conversa sobre missões a Marte. Pelas previsões mais optimistas, faltam 15 anos para o lançamento da nave que levará os primeiros seis astronautas ao planeta vermelho. Até ao momento há 45 riscos contados.

"Não acho que se possam justificar riscos elevados só pela aventura. Temos de justificá-los em termos de avanços técnicos e científicos", diz ao i o professor do Instituto de Tecnologia do Massachusetts. "Os astronautas são sobreviventes. Estão sujeitos a desafios e riscos muito significativos, e estes riscos só valem a pena se houver uma grande compensação, científica e não só", adianta.

Corrida ao bem-estar A disciplina que ajudou a fundar ao longo de uma carreira de mais de 50 anos é um dos instrumentos utilizados na preparação de novas missões científicas. No site bioastroroadmap.nasa.gov, da agência espacial norte-americana, é possível acompanhar o estudo dos riscos associados às missões na estação espacial internacional (ISS), na Lua e em Marte.

A expedição ao planeta vermelho, prevista para 2025-2030, envolve um risco a mais que os programas lunares e da ISS. E será muito mais exigente: se um novo regresso à Lua é concebido como uma viagem de 10 a 44 dias, com uma tripulação de quatro a seis elementos e quatro a 15 horas de actividade fora da nave para cada elemento, a ida a Marte é o maior empreendimento alguma vez pensado. Serão 30 meses de isolamento para seis astronautas, com um atraso de três a 20 minutos nas comunicações (com a Lua são 1,3 segundos) e 180 horas fora da nave por astronauta, uma experiência nunca feita. "Os mecanismos de equilíbrio associados ao ouvido interno mudam completamente, o sistema cardiovascular é afectado e depois há uma grande perda óssea e muscular, que é provavelmente o efeito mais forte", explica Larry Young.

No site da NASA, os riscos estão avaliados em três níveis. A Marte estão associados 28 mais prováveis, que vão da contaminação a bordo ao aumento da morbidade e risco de mortalidade associado a cancro ou problemas psicológicos, como o "insucesso por má adaptação psicossocial ou problemas neurológicos". Combatem-se com medidas preventivas de milhões de dólares, explica Young: treinos prolongados, escudos cada vez mais resistentes e um acompanhamento de 24 horas em Terra, por quem fica.


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