Política
Esquerda quer casamento gay resolvido antes da visita do papa
Publicado em 12 de Janeiro de 2010
Orçamento pode atrasar votação na especialidade na Assembleia, mas conclusão deve acontecer antes de Maio
A apresentação e votação do Orçamento do Estado (OE) pode atrasar a aprovação da lei do casamento homossexual, mas a esquerda acredita que o processo estará concluído antes da visita do Papa a Portugal, prevista para Maio.
Calendário certo, só a partir do momento em que o documento chegar às mãos de Cavaco Silva. No Parlamento, as audições e a discussão na especialidade dependerão da disponibilidade de agenda, que será consumida com a apresentação e debate do OE já a partir da última semana de Janeiro.
Mesmo assim, para haver coincidência entre a decisão do Presidente da República e a visita papal, "teria de haver um grande atraso" refere o deputado comunista João Oliveira, que não acredita "que aconteça". Para o membro da bancada parlamentar do PCP, se tudo correr bem, o texto sairá da Assembleia no espaço "de um mês". O Presidente da República tem um máximo de 20 dias para se pronunciar e, se decidir enviar a lei para o Tribunal Constitucional, a estes juntam-se mais 25 dias. No total, serão três meses para o cenário mais demorado.
"O mais importante é que a Assembleia da República conclua o processo com toda a serenidade, sem constrangimentos nem pressões, para que não haja falhas", defende João Oliveira. A progressiva aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo em vários Estados tem sido acompanhada por sucessivos discursos de condenação de Bento XVI. Ontem o Papa voltou a referir-se ao assunto como um "ataque" à ordem divina. Se Deus quis o homem e a mulher nas suas diferenças, os legisladores que não sonhem contrariar a sua obra. Num discurso sobre alterações climáticas e sustentabilidade, referiu-se à união civil entre pessoas do mesmo sexo como um dos "ataques" ao ambiente e às suas "criaturas".
"Um destes ataques provém das leis ou dos projectos que, em nome da luta contra a discriminação, atentam contra o fundamento biológico da diferença entre os sexos. Refiro-me, por exemplo, a países europeus ou do continente americano", referiu Bento XVI num encontro com o corpo diplomático do Vaticano. Para o Papa, "a liberdade não pode ser absoluta, porque o homem não é Deus, mas imagem de Deus, sua criatura. Para o homem, o caminho a seguir não pode ser fixado pelo que é arbitrário ou apetecível, mas deve, antes, consistir na correspondência à estrutura querida pelo Criador".
A referência surge poucos dias após a aprovação na generalidade da lei que permite os casamentos gay em Portugal. Mas Frederico Lombardi, porta-voz do Vaticano, diz que a mensagem do Papa não se destina a nenhum país em particular. E não faz comentários sobre a votação no Parlamento português.
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