O Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC) - Museu do Chiado "deve ser um pólo dinamizador" daquela zona histórica de Lisboa, defendeu hoje a nova directora, que pretende renovar a imagem do espaço e aproximá-lo da cidade.
Helena Barranha falava na cerimónia de tomada de posse, que decorreu no Museu do Chiado, e à qual assistiram duas dezenas de museólogos e directores de museus nacionais, e onde esteve presente a direcção do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC).
A responsável referiu que o museu que passou a dirigir "abriu em 1911 e debateu-se desde então, e sobretudo nos últimos anos, com problemas de escassez de espaço e reduzido orçamento".
"Estou consciente destas dificuldades e pretendo reunir apoios no sector público e privado, realizando parcerias com outras entidades", avançou.
Apelou aos responsáveis do IMC presentes na cerimónia para "a necessidade de se repensar o investimento do Estado na arte contemporânea", pretendendo para tal organizar debates no museu, convidando artistas, museólogos e outros agentes culturais.
Ressalvando que a programação do museu para o próximo ano está ainda em apreciação pelo IMC, Helena Barranha apontou, contudo, que quer desenvolver um projecto no MNAC com base em três linhas essenciais: valorizar as colecções de arte - que abrangem o período desde 1850 até à actualidade - requalificar as instalações e ampliar a rede de colaborações com outras entidades culturais.
O Museu do Chiado "deve abrir-se à cidade e constituir-se num pólo dinamizador na zona do Chiado", defendeu a nova directora, 38 anos, licenciada em Arquitectura pela Universidade Técnica de Lisboa, com um mestrado em Gestão Cultural e um doutoramento em Arquitectura com dissertação sobre Arquitectura de Museus de Arte Contemporânea.
A nomeação de Helena Barranha para o MNAC, conhecida em Outubro do ano passado, na sequência de um concurso público ao qual também concorreu o então director do museu, Pedro Lapa, gerou polémica e desencadeou uma petição de contestação assinada por meia centena de personalidade ligadas à cultura e enviada ao Ministério da Cultura.
Hoje, na tomada de posse - a primeira presidida pelo novo director do IMC, João Brigola - o responsável observou que a escolha da nova directora tinha sido ainda da responsabilidade da anterior tutela, "num contexto de concurso público".
"Mas não tenho dúvida nenhuma que, do ponto de vista pessoal, académico e profissional, que [Helena Barranha] é a pessoa certa no momento certo".
Destacou que a nova direcção "terá dois grandes desafios: uma nova abordagem das colecções e uma nova gestão do espaço deste museu quase centenário, que teve os seus altos e baixos, mas que irá entrar certamente num novo ciclo".
Em declarações à Agência Lusa, Helena Barranha escusou-se a comentar a polémica, e preferiu "salientar o mais importante: concentrar-nos nos grandes desafios que se colocam ao museu no futuro".
"Temos que pensar na programação e em particular na preparação das actividades que serão realizadas no quadro do centenário do Museu do Chiado, em 2011", destacou.
Assinalou ainda que uma das grandes prioridades da nova direcção é estudar as colecções do museu, que incluem sobretudo obras de criadores portugueses em pintura, escultura, fotografia, desenho e obras em suporte multimédia.




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