Segurança rodoviária
Estrada. Até 7% dos acidentes de condutores solitários podem ser suicídio
Publicado em 09 de Janeiro de 2010
Estudo sueco coloca novos problemas às seguradoras. Em Portugal faltam dados fiáveis
Um condutor deprimido e um volante podem resultar numa mistura explosiva. As autoridades suecas estimam que até 7% dos acidentes mortais de condutores sozinhos possam ser casos de suicídio. Em Portugal não há estudos aprofundados das causas de acidentes e o fenómeno não está identificado.
A nível internacional, são escassos os dados estatísticos sobre suicídios ao volante e em muitas situações é difícil estabelecer com segurança se essa foi a causa do acidente. Na Europa, apenas Suécia, Finlândia, República Checa, Suíça e Polónia têm bases de dados que incluam esta causa, embora nalguns sistemas sem autonomização entre suicídios e morte natural dos condutores.
Um estudo aprofundado sobre suicídios e morte natural de condutores realizado na Suécia, financiado pela Administração das Estradas, concluiu que o suicídio por despiste é quase exclusivamente masculino e prevalece na faixa dos 25 aos 34 anos. A forma mais típica é o embate contra árvores ou estruturas rochosas, mas também pode ocorrer por colisão contra camiões de transporte de mercadorias. Do total de casos estudados, 24% das vítimas tinham tentado o suicídio no ano anterior ao do acidente e cerca de metade tinham diagnóstico de estados de depressão ou perturbações.
Sendo o país europeu que mais ferozmente tem perseguido o objectivo de zero mortes na estrada, a Administração das Estradas Sueca (SRA) começou em 1997 a estudar de forma aprofundada as causas de todos os acidentes, criando para o efeito uma comissão governamental. Foi assim que começou a ser detectada o fenómeno do suicídio, com implicações para as seguradoras: percebeu-se que em muitos casos o método era escolhido pela garantia de pagamento de prémios às famílias.
Em Portugal, admite a Associação Portuguesa de Seguradoras, não há estudos sobre esta matéria. Os seguros automóveis têm cláusulas que excluem o pagamento de prémios se os acidentes tiverem origem intencional, mas na prática não há identificação exaustiva de causas, se bem que haja casos inequívocos de suicídio e locais em que foram tomadas medidas de prevenção, de que é exemplo o Sítio, na Nazaré.
Em 2006, a GNR promoveu o primeiro estudo nacional de causas da totalidade dos acidentes com vítimas mortais ocorridos no ano anterior. Concluiu que 91% tinham resultado de factores humanos, sendo o excesso de velocidade o responsável por mais mortes (30,3%). Factores como a imprudência (3,1%) e doença súbita (2,9%) também eram identificados.
O gabinete de imprensa da GNR explica que há dados dispersos, no dispositivo nacional, de situações de suicídio através de acidente rodoviário, mas sem que esses números estejam tratados globalmente. José Miguel Trigoso, secretário--geral da Prevenção Rodoviária Portuguesa, considera que o estudo de causas continua a ser uma lacuna, com efeitos nas estratégias de sensibilização. Os eventuais casos de suicídio são, admite, uma realidade desconhecida no nosso país, tendo apenas sido realizados estudos direccionados para jovens condutores de motorizada (ver texto em baixo).
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