Sair Uma coisa é ir a uma discoteca. Outra coisa é ir ao Pitch
Publicado em 10 de Abril de 2009
Há várias boas pistas de dança no Porto. Mas a do Pitch Club é a melhor de todas. Concebido por DJs como se fosse um estúdio, privilegia a acústica sem descurar a qualidade do serviço.
Ir ao Pitch não é apenas ir à discoteca. Ir ao Pitch é uma experiência sensorial. A conjunção de um espaço concebido como se fosse um estúdio de gravação com um sofisticado sistema de som marca Renkus-Heinz faz com que o acto de dançar ganhe, neste espaço, outra dimensão - sonora, claro está. Sentimo-nos dentro da música, mais do que é habitual, e ao fim de várias horas os tímpanos não se queixam. Pode ser techno duro, que soa sempre aveludado.
O Pitch Club, inaugurado em Setembro de 2006, é um local criado a partir de um conceito muito específico: basicamente, é o clube (linha londrina, ou nova-iorquina) que qualquer DJ gostaria de encontrar quando vai trabalhar. Ao renovar o espaço, os arquitectos Manuel Antunes e Fernando Machado, do gabinete Crear, obedeceram às premissas da acústica perfeita e "forraram" as paredes de ripas, como se estivessem a trabalhar num estúdio. As cabines de DJ são um luxo e, na pista, o sistema sonoro é superlativo. Depois, tem dois pisos: em cima, um bar confortável e bem decorado, onde também se pode dançar; em baixo, uma discoteca, onde só se pode dançar. E não é grande nem pequeno, é cosy. E também tem boa qualidade de serviço, com bebidas fiáveis e atendimento simpático.
Na origem do Pitch estiveram cinco sócios. Dois deles, João Cari e Pedro Tenreiro, ambos melómanos e DJs, conceberam o projecto e asseguraram a sua direcção artística durante perto de dois anos. Foram tempos de programação notável, bastante centrada no nu-disco, na deep-house e em alguma revisitação da música soul/funk, mas um nadinha elitista para as massas do Porto...
Na altura, todos os fins-de-semana vinha um grande DJ de Londres, ou de Nova Iorque, ou de Oslo, mas, apesar disso, o público começou a escassear. Entretanto, a Rua Passos Manuel esteve em obras demoradas e as primeiras casas nocturnas começaram a abrir para os lados dos Clérigos... E, com desgosto, os criadores do conceito acabaram por se afastar.
Em Setembro de 2008, foram chamados à gerência Miguel Valente e Ricardo Gomes. Com experiência anterior na área, no Iduna Caffé (Matosinhos), estes amigos trouxeram o apport de uma vasta rede de contactos e tornaram a programação mais mainstream e ecléctica. O facto é que pegou, e o Pitch tem estado cheio.
"A nossa aposta é na diversidade, mas sem comprometer a qualidade. A ideia é proporcionar sempre noites diferentes", explicam. "Na programação do bar optamos por um estilo mais generalista, no sentido de tentar agradar a um público mais abrangente, e neste momento temos apostado mais no pop-rock e no disco. Já no club, a aposta passa quase sempre pelas várias vertentes da música electrónica. Não nos parece que haja nenhum segredo, só trabalho e alguma pontinha de sorte."
Neste momento, as "festas de referência" da casa são "Flashback", "Made in Pitch", "Zig Zag" e "Mustroom". Um sábado por mês, integra ainda a "Alta Baixa", uma iniciativa que faz circular o mesmo público na mesma rua, ao longo de uma noite, pelo Maus Hábitos, Passos Manuel e Pitch. Se estiver a pensar num jantar de grupo já dentro do espaço, o clube também oferece serviço de catering.
Rua Passos Manuel, 34-38, Porto. 222 012 349 www.pitch-club.com De quinta-feira a sábado, e vésperas de feriados, das 22h00 às 06h00.
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