Luís Amado: saída da crise vai ser complexa e difícil

Publicado em 04 de Janeiro de 2010   
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 A saída da crise económica vai ser complexa e difícil porque a limitação do seu impacto foi conseguida à custa da dívida e vai obrigar à renegociação do Pacto de Estabilidade e Crescimento afirmou hoje Luís Amado.

"A gestão da crise foi complexa, mas a saída da crise vai ser mais complexa e mais difícil", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros português na abertura do Seminário Diplomático, ao falar da crise como um dos "problemas, riscos e ameaças" que vão condicionar a acção externa de Portugal em 2010.

Segundo Luís Amado, a crise internacional não atingiu "as proporções dramáticas" que se previam graças "ao discernimento de alguns decisores internacionais para reagir", mas "está longe de estar ultrapassada".

Nessa gestão da saída da crise, considerou, Portugal vai ter de acompanhar o esforço da União Europeia nesse sentido, o qual "vai necessariamente" passar, devido aos défices excessivos de vários Estados membros, por "uma negociação difícil" e uma revisão do Pacto de Estabilidade e Crescimento.

"2010 é o ano decisivo na definição das relações de força em torno da gestão da saída da crise", disse, depois de afirmar que a profundidade da actual crise traduz "uma crise de mudança estrutural no sistema político internacional".

Orador convidado deste seminário, Miguel Angel Moratinos, ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, que assumiu a presidência da UE a 01 de Janeiro, falou da necessidade de uma "governação económica europeia" para sair da crise e evitar que ela se repita.

O objectivo, explicou, é caminhar para "uma política económica comum", mas tratando-se de um fim que "claramente não é fácil", a presidência espanhola pretende para já "avançar progressivamente para uma coordenação das políticas económicas" dos 27.

Ainda no contexto económico, Amado apontou entre as prioridades da política externa portuguesa para 2010 "o apoio à recuperação económica" de Portugal, através de "objectivos absolutamente inadiáveis" como captar investimento estrangeiro e manter o investimento que já existe.

Reiterando as dificuldades decorrentes da separação por diferentes Ministérios dos organismos directamente envolvidos na internacionalização da economia, o ministro destacou a aprovação em Novembro em Conselho de Ministros do conselho estratégico para a internacionalização, que vai fazer a coordenação e a troca de informação entre esses organismos.

O papel estratégico da UE e a mudança operada pela administração Obama na política externa dos Estados Unidos foram outras situações apontadas pelo ministro como condicionadoras da acção externa de Portugal.

Para Amado, e prevendo que 2010 seja um ano de clarificação dessa mudança em que os EUA vão ter de "gerir expectativas", "a UE tem de assumir uma posição estratégica relevante, de não total subordinação ou até de espera", como aconteceu durante o impasse norte-americano em relação ao Afeganistão.

"A instabilidade no Afeganistão, no Irão e no Médio Oriente são problemas de vital importância para a segurança e defesa europeias", afirmou, acrescentando que, com o novo quadro institucional europeu, "é inaceitável" que a UE não assuma "uma autonomia estratégica, articulada, necessariamente, com o seu principal aliado".

Moratinos manifestou posição semelhante ao afirmar: "A UE não pode estar relegada para segundo plano. Pelo contrário, deve ter um papel central na criação de um mundo mais seguro".

 



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