No resto do mundo criatividade significa imaginar uma coisa nova. Em Hollywood não. Dizem que é a crise. A indústria tornou-se conservadora. Prefere pisar chão que já deu uvas. E como a crise parece estar para ficar, mantém-se a aposta: sequelas e remakes dos anos 80. Oliver Stone regressa a "Wall Street", "Predador" volta a atacar (sem Schwarzenegger, mas produzido pelo compincha de Tarantino, Robert Rodriguez) e até uns renovados "Soldados da Fortuna" vão parar ao grande ecrã. "Toy Story 3", "Shrek Para Sempre", "O Sexo e a Cidade 2", "As Crónicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada" e "Eclipse" são estreias ansiadas. Mas nisto de sequelas nada bate o fim de "Harry Potter".
“O Sítio das Coisas Selvagens”, de Spike Jonze
O ex de Sofia Coppola trocou os argumentos matrioska de Charlie Kaufman pelo belíssimo clássico da literatura infantil de Maurice Sendak. Um miúdo foge de casa e vai parar a um mundo habitado por “coisas selvagens” – um dos disfarces mais vistos no último Halloween em Nova Iorque.
Tendência 2010: Nostalgia – outra vez.
Estreia a 07 de Janeiro
“Nas Nuvens”, de Jason Reitman
O realizador de “Juno” dirige George Clooney numa tragicomédia sobre um homem que ganha a vida a despedir pessoas “no lugar de patrões cobardes”. Nomeado para seis Globos de Ouro, está na pole position para os Óscares.
Tendência para 2010: Juntar milhas aéreas.
Estreia a 21 de Janeiro
“O Fantástico Senhor Raposo”, de Wes Anderson
Adaptação irrepreensível
(e com contornos obsessivos, diz a equipa de trabalho) do conto de Roald Dahl por um dos prodígios indie da década. Os miúdos vão gostar, os pais adorar. Com vozes de George Clooney, Meryl Streep e Bill Murray.
Tendência para 2010: Rever animações em stop motion no YouTube.
Estreia a 28 de Janeiro
“Shutter Island”, de Martin Scorsese
Pode procurar à vontade, não há gangsters nem trajes do século XIX à vista. Scorsese arrisca o primeiro “chiller” (entre o terror e os suspense), com os detectives Leonardo DiCaprio e Marc Ruffalo a investigarem um hospital que mais parece uma fortaleza.
Tendência 2010: Mudar – qualquer coisa serve.
Estreia a 25 de Fevereiro
“I Love You Phillip Morris”, de Glenn Ficarra e John Requa
Jim Carrey e Ewan McGregor encontram o amor na prisão – um com o outro. Esta comédia sobre um polícia casado feito vigarista gay baseia-se em factos reais e por pouco não encontrava distribuidor nos EUA. No Reino Unido ainda está à procura.
Tendência para 2010: Sair do armário.
Estreia a 18 de Março
“Alice no País das Maravilhas”, de Tim Burton
Com 17 anos, Alice volta a seguir o coelho branco. O País das Maravilhas do criador de “Eduardo Mãos de Tesoura” é um lugar gótico onde as personagens gostam de humor negro. Com os cúmplices do costume: Johnny Depp e Helena Bohnam Carter.
Tendência para 2010: Usar chapéu.
Estreia a 4 de Março
“Homem de Ferro 2”, de Jon Favreau
Quem viu o primeiro – “um filme de super-heróis invulgarmente bom”, disse o “The New York Times” – anseia pelo segundo. Robert Downey Jr. tem pela frente os vilões Scarlett Johansson, Mickey Rourke e Samuel L. Jackson.
Tendência para 2010: Revelar a sua identidade secreta
Estreia a 29 de Abril
“Inception”, de Christopher Nolan
Mais misterioso é difícil. Sabe-se que é um “filme de ficção científica contemporâneo”, que um executivo (DiCaprio) “entra nos sonhos”, e que é escrito e realizado pelo homem por trás de “Cavaleiro das Trevas”, o quarto filme com mais receitas de sempre. E isso basta.
Tendência para 2010: Confiar cegamente em quem nos tratou bem.
Estreia nos EUA a 16 de Julho
“The Expendables”, de Sylvester Stallone
Já lhe chamaram o melhor filme de acção dos anos 80 feito com 20 anos de atraso. Sylvester Stallone escreve, realiza e representa ao lado de Jet Li, Mickey Rourke, Bruce Willis e Schwarznegger. Brittany Murphy faz a sua última aparição.
Tendência para 2010: A meia-idade é a nova adolescência.
Estreia nos EUA a 20 de Agosto
“Black Hole”, David Fincher
Respire fundo: o realizador de “Clube de Combate” está de volta aos universos claustrofóbicos e alucinados. A história é adaptada de uma novela gráfica de Charles Burns. Conte com doenças sexualmente transmissíveis, mutações e exclusão social.
Tendência para 2010: Regressar a casa
Data de estreia a anunciar
Zombies
Primeiro foram os feiticeiros, com “Harry Potter”, da agora multimilionária J. K. Rowling. Depois vieram os vampiros, pela mão de uma dona de casa mórmon, Stephenie Meyer. 2010, avança a crítica literária do i Alexandra Macedo, “arrisca tornar-se o ano dos mortos-vivos”. Indícios: a Gailivro vai editar três livros de zombies, todos best-sellers – “Guerra Mundial Z”, de Max Brooks, “Orgulho e Preconceito e Zombies”, de Seth Grahame-Smith, e “Floresta de Mãos e Dentes”, de Carries Ryan.
Vida Real
Dave Eggers e Jonathan Safran Foer são dois dos jovens romancistas mais promissores dos EUA. Em 2009 ambos esqueceram a ficção, vestiram a pele de repórteres e escreveram sobre a realidade. O primeiro centrou-se nos efeitos do furacão Katrina sobre uma família muçulmana (“Zeitoun”). O segundo investigou os horrores da criação industrial de animais (“Eating Animals”). Enquanto esperamos pelas traduções, perguntamos: será que a moda pega?
O novo Stieg Larsson
Estando a ressurreição reservada ao domínio da fé, para aproveitarem o sucesso da trilogia póstuma “Millenium” as editoras tiveram de encontrar um sucessor. “O Hipnotista” (Porto Editora) de Lars Keppler chega este ano a Portugal. O autor – um pseudónimo que esconde um homem e uma mulher – é apontado como o novo Stieg Larsson.
Apostas Seguras
“Wolf Hall”, de Hilary Mantel (Civilização)
Porquê: Ganhou o Man Booker 2009. A história é a do braço-direito de Henrique VIII e a escritora é perita em dissecar a crueldade humana.
“The Humbling”, de Philip Roth
(Dom Quixote)
Porquê: É o último do eterno cadidato ao Nobel da Literatura – apesar da nomeação para os Prémios do Mau Sexo britânicos.
“O Ano do Dilúvio”, de Margaret Atwood
(Bertrand)
Porquê: É um eco-épico apocalíptico cheio de humor e de segundos sentidos.
2010 será o primeiro ano pós-década dos “00” e será descendente directo desta nova vontade criativa. Esperamos, com júbilo, pelo regresso de alguns dos nomes mais importantes dos últimos anos e, enquanto estes espalham ansiedades, os seus seguidores mais recentes assinalam também novo passeio por estúdios e edições.
Mas a verdade mais estimulante é que se anunciam novos dias de afirmação para gente que nasceu a fazer música de olhos postos no passado e no futuro, com todas as ferramentas que os seus antecessores não tiveram, com o digital e o analógico num corpo único, disponível para ser concretizado em qualquer parte e distribuído como e quando se quiser. A geração em que a vontade basta para fazer a diferença. Veja-se Panda Bear, ou melhor, Noah Lennox, uma das mentes dos Animal Collective, o paradigma da pop do século XXI, que neste novo ano terá mais um álbum e um óbvio candidato ao melhor de 2010, mesmo sem o termos ouvido.
Repetimos: quando e onde se queira, o homem sonha e a obra nasce. Os Sleigh Bells, um duo de guitarra e voz em distorção (entre Brooklyn e a Florida) vão pedir dança e libertação de corpos – porque o momento é tudo o que interessa quando o resto, agora, já não é novidade. Estão em tudo o que é site que dita a moda, com sexo na voz e horas em discotecas de punk rock, para treinar vestes e movimentos. Vamos querer ouvir os The Drums, que seguem a regra “uma canção bem feita é tudo o que necessitamos” para a felicidade pop. Olhos postos nas leis de sempre mas com os métodos do futuro. Ou as electrónicas como coisa acessível nas ruas, dos Four Tet aos Toro y Moi. Os Suckers vão lançar o seu primeiro longa duração em 2010 e querem reinventar a pop psicadélica. E os Broken Bells são a melhor superbanda indie do momento, com James Mercer, dos The Shins, e Danger Mouse. Se não gostarmos deste 2010 já a partir do seu início, quem gostará? Por Tiago Pereira
Os regressos de 2010
Vampire Weekend, “Contra”, 12 de Janeiro
Beach House, “Teen Dream”, Janeiro
The Magnetic Fields, “Realism”, Janeiro
Massive Attack, “Heligoland”, Fevereiro
Hot Chip, “One Life Stand”, Fevereiro
LCD Soundsystem, Março
MGMT, “Congratulations”, Primavera
Arcade Fire, Maio
Panda Bear, data a anunciar
Outkast, data a anunciar
Amy Winehouse, data a anunciar
Kraftwerk, data a anunciar
Eles não dizem como, mas garantem que o vão fazer: a sexta e última temporada de “Perdidos” vai acabar com todas as pontas soltas, sem recorrer aos contorcionismos que popularizaram a série. Mas já correm rumores de que o primeiro episódio arranca com a revelação de que o avião Oceanic 815 nunca caiu. O protagonista Matthew Fox já confirmou que a sua personagem, Jack Shepard, e John Locke vão entrar em confronto. Mais: a partir de certa altura, as duas linhas temporais fundem-se numa só. A ABC fez questão de anunciar um “final chocante”. Outra coisa não seria de esperar. Certezas, só uma: nos EUA, a série chega ao fim em Maio, com o episódio 121.
Glee
Em quatro meses de história, “Glee” arrebatou quatro nomeações para os Globos de Ouro, incluindo melhor série televisiva, e só nos EUA conquistou mais de oito milhões de fãs (auto-intitulados “gleeks”). A história de um grupo de adolescentes desajustados que cantam no coro do liceu (porque é que um mal nunca vem só?) tem a assinatura do argumentista de “Nip/Tuck”, Ryan Murphy. É uma combinação improvável de optimismo, com humor negro (não deu por ele? veja outra vez) e números musicais, criada na sequência do sucesso dos programas tipo “Ídolos”. Por cá, pode ser visto na Fox Life. Lá fora, a banda-sonora já deu origem a dois LP best-sellers.
O ouroboros é um símbolo representado por uma serpente que morde a própria cauda e simboliza a eternidade. A teoria do eterno retorno do filósofo Friederich Nietzche defende que o universo se repete ao infinito. Nenhum dos dois foi criado a pensar na moda, mas podia. Uma das tendências que este ano promete chegar em cheio a este canto da Europa é o regresso ao final do século XIX, início do seguinte. Pense em Sherlock Holmes, que até tem um remake em cena. Concretizando: colete, óculos, chapéu, tweed, suiças e bigode. Se só puder comprar uma peça, aposte nuns bons brogues (sapatos de atacadores). Em 2010 vão estar por todo o lado.
TRANÇAS COMPRIDAS
“Ó Rapunzel, deixa cair a tua trança para eu trepar para junto de ti”, dizia o príncipe. Acrescentamos: longas, despenteadas ou, num visual sofisticado, em forma de bandolete.
ROMANCE FEMININO
Karl Lagerfeld deu o mote com o desfile bucólico da Semana da Moda de Paris. A usar: socas, blusas e túnicas vaporosas, saias de pregas e micro calções, tudo em tons pastel, branco e cinza.
KITTEN HEELS
Um alívio, depois das estações sucessivas de saltos vertiginosos. Para os tornar mais modernos, pense em vinil e tons metalizados.
Pegou em 20 mil tampões e fez com eles um lustre (“A Noiva”) escolhido para peça principal da Bienal de Veneza. Pôs um colar à Torre de Belém (“A Jóia do Tejo”). Criou uma peça com sete mil talheres de plástico (“Coração Independente Dourado”) leiloada no Christie’s por 192 mil euros. Entre 1 de Março e 18 de Maio, o Museu Colecção Berardo organiza a primeira grande exposição do trabalho da artista plástica Joana Vasconcelos, “Sem Rede”, com a reunião inédita dos três corações de talheres de plástico, vermelho, dourado e negro.
Depois dos comandos controlados por gestos vêm os gestos que comandam. Na última feira E3, em Los Angeles, a Microsoft apresentou aquela que promete ser a grande novidade do ano: o Projecto Natal (cidade de um dos criativos). As comunidades online estimam que o sistema seja lançado em Novembro. Natal é a ausência total de comandos. Um aparelho, ligado a uma Xbox360, capta e reconhece os movimentos, caras e vozes dos jogadores. Empresas como a Activision, Capcom, Disney, EA, Konami, MTV, Sega, Square Enix, THQ e Ubisoft já confirmaram ir desenvolver jogos para o sistema. Por Marco Dinis Santos
Três jogos que vão dar que falar
Bioshock 2
PS3, XBOX360, PC
Sai a 9 de Fevereiro
A sequela do “Tiro Neles” (FPS) que nos apresentou ao pesadelo subaquático Rapture. Promessas: gráficos ainda melhores, mais interacção e a possibilidade de controlar um dos monstruosos Big Daddy.
Dante’s Inferno
PS3 & Xbox360
Sai a 12 de Fevereiro
A primeira parte da “Divina Comédia” de Dante Alighieri foi transformada em videojogo pela Electronic Arts. Conte com uma atmosfera semelhante à de “Dead Space” e uma jogabilidade que vai beber a “God of War”.
Super Mario Galaxy 2
Wii
Data a anunciar
Para a Nintendo, Mario está algures entre Midas e a galinha dos ovos de ouro. Com novos planetas, movimentos e fatos, “Super Mario Galaxy 2” tem tudo para ser um sucesso de vendas.




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Actividade em ionline