Tráfico de droga

Rafaelle Cifrone. O mafioso italiano preso em Lisboa

Publicado em 02 de Janeiro de 2010   
Suspeito de pertencer à Camorra napolitana, Rafaelle Cifrone foi acusado de traficar mais de 1,4 toneladas de haxixe oriundo de Marrocos
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Rafaelle Cifrone faz apenas 36 anos no próximo dia 14 de Janeiro, mas é considerado pelas autoridades portuguesas e italianas como um dos membros mais importantes das organizações mafiosas italianas, neste caso com fortes suspeitas de pertencer à Camorra, organização que surgiu na mesma cidade onde Cifrone cresceu: Nápoles.

Está preso há cerca de um ano no Estabelecimento Prisional de Lisboa, ao cimo do Parque Eduardo VII, sem qualquer medida excepcional de segurança. Foi detido no Algarve, em Novembro de 2008, suspeito de negociar o transporte de 1,4 toneladas de haxixe entre a costa de Marrocos e Portugal. O julgamento está marcado para Janeiro.

Ugo Blasi da polícia italiana - Carabinieri - em Roma, confirmou ao i que Cifrone é conhecido das autoridades e está referenciado, mas evitou acrescentar mais informações sobre o cidadão napolitano. Ainda segundo uma fonte das autoridades italianas, há intenção de pedir a extradição de Rafaelle Cifrone para Itália. Fontes ligadas ao processo em Portugal confirmaram que o italiano é referenciado como um dos chefes com mais poder em redes de tráfico de droga europeias que financiam a organização criminosa Camorra. De resto, é uma situação que ocorre com alguma frequência: há inúmeras apreensões de estupefacientes em Portugal que se destinavam ao financiamento de redes mafiosas italianas, mas raramente os responsáveis máximos nas cadeias hierárquicas criminosas são apanhados em Portugal. Ou porque simplesmente organizam o negócio sem se deslocarem cá, ou porque nas eventuais deslocações nunca chegam a ser surpreendidos em contacto directo com a rede de traficantes ou com a própria droga.

duas apreensões, um processo A acusação juntou a apreensão no mar, em Junho de 2008, de 6,4 toneladas de haxixe, ao largo da localidade costeira de Carrapateira, na costa vicentina, à apreensão de 1,4 toneladas no Algarve (ver texto ao lado), uma vez que alguns suspeitos coincidem e, a liderança, segundo o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), pertence a Paulo Silvestre, acusado pelas duas operações. Neste mesmo processo há ainda arguidos que são acusados noutros inquéritos e há certidões extraídas, ao que tudo indica, para darem origem a novas acusações.

Rafaelle Cifrone, acusado apenas pela apreensão do Algarve, foi preso perto da localidade algarvia de Fuzeta, pela Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária, juntamente com um francês, Heroui Kevim, e o marroquino Najm Ouaddir. São todos suspeitos de negociar, através de uma rede montada pelo português Paulo Silvestre, o transporte de 1,4 toneladas de haxixe entre a costa de Marrocos e Portugal, para posteriormente o transportarem por terra para outros pontos da Europa.

Dos 27 arguidos constituídos neste processo, estão presos Najm Ouaddir e Abdellatif Fachil (marroquinos), Rafaelle Cifrone, Heroui Badis Kevin (italiano e francês) e os portugueses António José de Almeida Simões, Carlos Alberto Parreira Pereira, João Manuel Rodrigues Alves, Leonel dos Reis Ferreira Bispo, Nelson Graça Apolinário Graça e Manuel José Guerreiro Crispim da Cruz, Francisco António Ferreira e José Folgado, este último, agente da Brigada Fiscal da GNR. Francisco Sampaio Gaitas, tido como braço-direito do líder da rede, não foi localizado pela PJ.

GNR acusado O agente da GNR José Folgado, preso preventivamente em Évora, é suspeito de aceitar o pagamento de 10 mil euros por cada tonelada que entrasse pela costa vicentina. Segundo a acusação, chegou a receber antecipadamente 25 mil euros pela operação gorada junto a Carrapateira. Segundo os relatos da PJ e do DCIAP sobre a apreensão no Algarve, Cifrone comprou um barco para transportar o haxixe e estava mesmo presente na praia marroquina onde a droga foi carregada para o barco tripulado por portugueses.

Segundo a acusação, a organização portuguesa tratava do transporte marítimo e terrestre para vários compradores estrangeiros, entre os quais Rafaelle Cifrone, Heroui Badis Kevin e Najm Ouaddir e outros que não chegaram a ser incluídos no processo.

As 1,4 toneladas de haxixe chegaram num barco no dia 7 de Novembro de 2008 e foram transportadas, ainda no mar, para duas chatas previamente avisadas. A seguir foram então transportadas para um armazém agrícola e, mais tarde, transferidas para um camião (uma tonelada) e para um automóvel (183 quilogramas). A UNCT da PJ interceptou o camião conduzido pelo arguido Leonel Bispo e o automóvel na posse de Rui Freitas.

Segundo as investigações, Rafaelle Cifrone, Heroui Kevin e Najm Ouaddir não se aperceberam da operação policial e pensaram que os portugueses se teriam apropriado da droga. Regressaram a Portugal para apurar o sucedido e, numa reunião, chegaram mesmo a ameaçar alguns arguidos, razão pela qual estão também acusados de outros dois crimes de sequestro (ver caixa).


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