Política
PSD. As comadres, o "ataque porco" e o desvario no PSD
Publicado em 31 de Dezembro de 2009
Quem negoceie com Sócrates "um subsídio" não está livre para dirigir o PSD, diz Pacheco. "Um ataque porco", reage Nogueira Leite
"Um ataque porco entre comadres cavaquistas." Quem tuíta assim é António Nogueira Leite, membro do Conselho Nacional do PSD, ex-secretário de Estado de António Guterres e um dos mais entusiastas apoiantes de Pedro Passos Coelho. O visado é Pacheco Pereira, por causa de um texto publicado na revista "Sábado", no qual o deputado social--democrata exige "independência e autonomia" do Estado aos candidatos ao "debate" no PSD, defendendo que "quem tem de tratar com o poder socialista não está livre para dirigir um partido da oposição" nesta altura.
Para Pacheco Pereira, um dos mais exacerbados defensores da direcção de Manuela Ferreira Leite, "quem quiser debater no PSD só o pode com independência e autonomia - ou seja, sem condicionantes de emprego, carreira, interesses económicos, dependência dos cargos e acima de tudo real, absoluta, profunda independência do governo e do establishment do poder". O deputado do PSD acha que qualquer candidato que tenha de "tratar com José Sócrates, seja de um concurso, uma concessão, uma vantagem, um subsídio, um negócio, não está livre para dirigir um partido da oposição num momento difícil como este".
"Pacheco ataca mais o Relvas, mas também o PPC [Pedro Passos Coelho], o Paulo Rangel (ex-sócio do Garrigues e Vitorino), eu, o Aguiar-Branco, o Morais Sarmento." Através do Twitter, onde escreve quase diariamente, António Nogueira Leite passa à identificação dos supostos destinatários da mensagem de Pacheco Pereira. O i confrontou Alexandre Relvas e Paulo Rangel com a polémica - os restantes não atenderam o telefone - mas nenhum deles quis reagir às palavras de Nogueira Leite.
"O JPP [José Pacheco Pereira] precisa de notoriedade para recolher os cheques à Impresa e à Sonaecom. Está a fazer o seu trabalho", tuíta ainda Nogueira Leite. Em resposta a outro interlocutor, esclarece que Pedro Passos Coelho "é administrador da Fomentinveste, presidida pelo Ilídio Pinho, onde também é administrador o Ângelo Correia. Trabalham na área ambiental".
O ódio dos passoscoelhistas a Pacheco Pereira, e vice-versa, não é novo e percorre quase todo o mandato de Manuela Ferreira Leite. Em Outubro, numa das suas intervenções na "Quadratura do Círculo", da SIC-Notícias, Pacheco Pereira tinha acusado Passos Coelho de ser um dos responsáveis pela "balcanização" do PSD, por dar corpo a uma espécie de direcção-sombra do partido. Paralela à "direcção legítima", haveria uma "direcção Passos", que "funcionava com regras próprias, com contactos com embaixadas, câmaras de comércio, com estratégia de comunicação e notícias passadas aos jornais", incluindo uma franja que na internet apelava "ao voto em branco e até no CDS". Recorde-se que Ferreira Leite recusou integrar Passos Coelho nas listas de candidatos a deputados nas últimas eleições legislativas.
Pedro Passos Coelho foi o primeiro candidato à liderança do PSD a assumir a sua entrada na corrida. Recentemente, um advogado de Coimbra, Castanheira Barros, também afirmou ir candidatar-se. Mas a verdade é que a ala ferreirista permanece sem candidato ao confronto com Pedro Passos Coelho. Marcelo Rebelo de Sousa, em quem esta ala depositou as maiores esperanças, nunca mais se define, continuando a falar de uma "unidade" onírica. Na falta de uma declaração expressa de Marcelo, permanecem na sombra o eurodeputado Paulo Rangel e o actual líder parlamentar, José Pedro Aguiar-Branco.
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