Herói holandês lucrou 18 mil dólares com fotos e entrevistas
Publicado em 29 de Dezembro de 2009
As imagens foram tiradas com um telemóvel e negociadas pouco depois de o avião aterrar em Miami. CNN acusada de pagar pela entrevista
Aquilo que podia ser uma história de Natal com um final feliz está a tornar--se numa batalha moral nos media americanos. Jasper Schuringa, o herói que evitou o atentado à bomba no voo 253 da Northwest Lines, do passado dia 25 de Dezembro, negociou com a CNN e alguns jornais as imagens do terrorista, feitas com um telemóvel. Ao todo, este homem - entretanto elogiado pelos reis holandeses - conseguiu lucrar cerca de 18 mil dólares (12 500 euros) com duas fotografias de fraca qualidade.
Schuringa mal teve tempo para pensar, quando viu um passageiro activar um engenho explosivo em pleno voo. Mas assim que chegou a terra firme, tratou de rentabilizar o episódio: contactou alguns órgãos de comunicação para vender as duas imagens. A notícia foi avançada pelo site Mediaite, que garantiu ter recebido uma proposta para a compra de "duas mercadorias: uma foto e uma entrevista".
Nesta altura, já a CNN tinha contactado o holandês, através de um telemóvel disponível no site da sua empresa, e garantido a entrevista. Não pode dizer--se que os oito minutos de conversa em directo tenham sido pagos. Mas a verdade é que a cadeia norte-americana confessou ter desembolsado 10 mil dólares. O valor corresponde a um pagamento, supostamente relacionado com os direitos de imagens e vídeos, mas que assegura, ao mesmo tempo, a entrevista. Assim, ninguém pode dizer que tenha sido paga, tal como acontece com a imprensa cor-de-rosa.
Quem dá mais? Quando começou a receber contactos, Jasper reencaminhou as negociações para Shai Ben-Ami, o amigo de Miami com quem ia passar férias. Os primeiros a garantir a história foram a CNN e o "New York Post", que largaram 10 e 5 mil dólares, respectivamente. Pouco antes de entrar em directo na cadeia norte-americana, um outro repórter conseguiu falar com o assessor de Jasper. Shai garantiu então que após a entrevista, e depois de negociar outro contrato com a ABC, poderia discutir os direitos das imagens. Mas avisou que o amigo falaria apenas se o repórter estivesse disposto a pagar. "Foi bastante directo. Deixou claro que Jasper dava entrevistas apenas aos media que pagassem", disse o jornalista. As mensagens trocadas entre ambos não deixam grandes dúvidas: "O 'New York Post' e o 'Times' ainda estão a falar da segunda foto. Quanto estão dispostos a pagar?", perguntava o amigo do holandês a partir do seu Blackberry. "Eles têm o exclusivo da primeira foto e estão a oferecer 3 mil pela segunda. Vamos agora ter com eles, se não tiver uma proposta com estes valores... muito obrigado."
Durante a entrevista à CNN, pode ver--se Jasper desconfortável perante as perguntas da jornalista. A dado momento o holandês parece querer terminar a conversa, despedindo-se e negando-se a comentar, por exemplo, o estado de espírito do alegado terrorista quando foi detido. Na discussão nos media que se seguiu ao incidente, há quem defenda que Jasper estava a querer guardar informação.
Recorde-se que o ataque falhado ocorreu no passado dia 25 de Dezembro, num voo entre Amesterdão e Detroit com 278 pessoas a bordo. A 20 minutos do destino, um passageiro nigeriano accionou um engenho explosivo, causando o pânico no aparelho. Jasper estava no banco de trás e saltou por cima de outros passageiros para imobilizar o suspeito. Ficou com queimaduras nas mãos.
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