Consumo

Portugueses gastam 3% do PIB em menos de um mês

Publicado em 29 de Dezembro de 2009   
O Natal parece ter passado ao lado da crise. Consumo privado volta a empurrar a economia
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Crise? Qual crise? Os portugueses parecem ter passado as dificuldades económicas para segundo plano durante o período natalício. Desde o início de Dezembro até dia 26, entre levantamentos e compras com cartão, os portugueses gastaram o equivalente a 2,9% do produto interno bruto de Portugal, segundo dados da SIBS, entidade que gere a rede multibanco.

Nesse período levantaram-se nas caixas multibanco do país 2,131 mil milhões de euros e gastaram-se em compras 2,577 mil milhões de euros. O total de 4,708 mil milhões representa um aumento de 300 milhões em relação ao mesmo período do ano passado. O número de transacções subiu também em relação a 2008. Este ano, houve mais sete milhões de operações de compra por multibanco.

23 de Dezembro foi mesmo um dia histórico, tendo sido batidos recordes de número e valor de compras realizadas com cartão. Nestas 24 horas, foram efectuados 3,5 milhões de operações, movimentando-se 166,390 mi-lhões de euros. No entanto, apesar do aumento do número de operações, o valor médio diminuiu um euro em 2009. Cada compra feita custou, em média, 44 euros e os levantamentos rondaram os 68 euros.

quem fala, fala bem A maioria das grandes cadeias de distribuição recusaram-se a divulgar números de vendas ou a fazerem um balanço segmentado para este período do ano. Mas as empresas que aceitaram responder mostraram-se satisfeitas com o volume de vendas natalício.

"Este ano, as vendas correram muito bem. Em linha com o ano passado e, em alguns dias, até um pouco acima", afirmou ao i Susana Santos, responsável pela comunicação do El Corte Inglés. "O Natal do ano passado já tinha sido óptimo e este ano as nossas expectativas foram superadas."

A Fnac, líder absoluta do mercado de música e electrónica em Portugal, partilha o entusiasmo. "Este ano, notámos um franco aumento de visitas nas nossas lojas mas também registámos um aumento nas vendas, em relação ao período de Natal do ano passado", sublinhou Viriato Filipe, director de marketing da Fnac. "Apesar da crise - talvez também graças a ela -, as pessoas encaram a Fnac como um lugar de evasão." Nas lojas Fnac a tendência de compras de Natal esteve ligada à procura de novidades editoriais e inovações tecnológicas.

mais dinheiro na carteira O Natal é sempre um momento de alívio para as empresas de retalho, com o disparo do consumo a ajudar a compensar um ou outro mês pior. Neste caso, registar valores sólidos nas vendas é especialmente significativo quando se está ainda a recuperar da mais grave crise desde a Grande Depressão.

Seja porque o rendimento disponível cresceu nos últimos meses, seja porque poucos conseguem resistir às tentações de Natal, a verdade é que o consumo não aprece ter sido prejudicado pelos efeitos da crise económica. Para António Nogueira Leite, não há dúvida de que os portugueses empregados estão com mais dinheiro nos bolsos. "Houve um aumento muito significativo do rendimento disponível", sublinha o economista. "Essa é a principal razão para explicar a melhoria do consumo privado."

Apesar de as taxas de desemprego estarem ao nível mais alto de sempre (9,8% no terceiro trimestre de 2009), os portugueses que conseguiram manter os seus empregos beneficiaram da descida das taxas de juro e do preço dos combustíveis. "Com o congelamento da inflação, os salários aumentaram, em termos reais, em 2009 e as famílias tiveram menos despesas com os juros. Regressamos à expansão da economia baseada no consumo privado", conclui Nogueira Leite.


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