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Big Brother, please watch me

por Ana Rita Guerra, Publicado em 11 de Maio de 2009   
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É a moeda de troca das economias avançadas: quanto mais riqueza se consegue gerar em duas ou três camadas da sociedade, mais violentos são os ataques a essas castas por parte dos desfavorecidos. Os pobres. Os filhos da imigração (des)controlada. Os produtos de bairros que são autênticos tapetes étnicos, para baixo dos quais é atirada toda a espécie de incómodos.

Quanto maior o conforto, maior o medo de o perder. E é em alturas destas que as empresas que vendem tecnologia de segurança têm o seu melhor momento: videovigilância, anti-carjacking, localizadores GPS para meter nos casaquinhos das crianças, servidores caseiros para gerir casas inteligentes, salas de pânico, alarmes inquebráveis. Chegamos ao melhor século da humanidade com medo do senhor que bate à porta com um kit de televisão por cabo para vender e do arrumador de Leste que nos persegue até à entrada do Shopping. Foram-se os receios de invasão da vida privada; o que se quer é uma profusão de câmaras por todos os lados, para que os prevaricadores saibam que estão a ser controlados. Estamos, por culpa própria, na era em que queremos um Big Brother que nos proteja dessa violência que vem dos bairros sociais, dos loucos que andam no metro e dos miúdos de 12 anos que roubam porque lhes apetece e não lhes acontece nada.

Algo está errado na forma como encaramos tudo isto. Mas enquanto não se encontra solução melhor, sempre vou comparando preços. "Tenho de instalar uma coisa destas em casa". Diz que há um senhor, chamado "seguro", que terá morrido de velho.



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