Mercado

E de repente fez-se Luz ao investimento

por Bruno Roseiro e Pedro Candeias, Publicado em 29 de Dezembro de 2009   
Efeito dominó: Benfica comprou bem, Sporting só compra agora, FC Porto está obrigado a comprar
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O Benfica contratou um treinador, investiu 26 milhões de euros e comprou bem. Até com um ou dois flops, os encarnados jogam bem e estão na frente da Liga. E é a partir desta base que começa o efeito dominó que norteia a reabertura de mercado: o FC Porto não esqueceu o fantasma Lucho González e está obrigado a comprar para nivelar a luta com as águias; o Sporting desfez-se do espectro do rigor financeiro e começa agora a comprar a sério. No meio da agitação, o Benfica aproveitou para comprar sombras para os titulares. Afinal não é por acaso que crise e oportunidade são o mesmo vocábulo em chinês.

É uma questão de fazer as contas, como diria António Guterres. Na altura em que o actual alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados era primeiro-ministro, Portugal espantava-se (e torcia o nariz) a investimentos como Simão (12 milhões de euros), Tello (7,5 milhões) ou Ibarra (mais de cinco milhões). Mas isso era no início da década; hoje, no final, os três grandes vão gastar mais de 25 milhões só para aqueles que deveriam ser meros retoques no plantel.

PREDADOR 1 Quanto custa João Pereira? Três milhões? Já está. E Sinama-Pongolle? 6,5 milhões de euros? Não dá para baixar um bocado? Ok, já está. Parece um tique de novo-riquismo mas representa, acima de tudo, a fuga à ditadura económico-financeira que tem vigorado em Alvalade. O Sporting já gastou quase 10 milhões de euros em contratações (mais os 3,6 milhões com Matías Fernández, no Verão) e a conta não vai ficar por aqui.

Com Evaldo, o lateral-esquerdo do Sp. Braga, excessivamente inflacionado, os leões viraram atenções para Asien Del Horno, que já recebeu uma proposta concreta para cedência por empréstimo até ao final da época (com opção de compra). Há dois problemas: o esquerdino do Valência está renitente em sair de Espanha e é um dos jogadores com salário mais elevado.

Para o meio-campo, Ruben Micael, o estratega do Nacional, é uma espécie de reserva moral: o sonho de conseguir ainda Nani, Quaresma ou Danny por empréstimo mantém-se mas, quando ficar diluído de vez, Bettencourt está disposto a dar perto de cinco milhões pelo madeirense.

PREDADOR 2 O FC Porto mantém o apetite voraz mas, desta feita, por necessidade. Diferença: vai actuando pela calada. Desviar Álvaro Pereira e Falcao da Luz para o Dragão não foi suficiente porque outras caras novas, como Valeri, Prediguer ou o próprio Belluschi, não pegaram. No Verão, os dragões gastaram mais de 20 milhões de euros; agora, visando um médio e um avançado, vão ter de abrir os cordões à bolsa. Mesmo depois de Pinto da Costa ter dito que o plantel dos campeões estava fechado.


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