Futebol internacional

O golo foi bom mas o festejo é que foi histórico - vídeo

por Rui Miguel Tovar, Publicado em 29 de Dezembro de 2009   
Há 13 anos, Cantona rodou sobre si mesmo com ar de desdém e abriu os braços para acolher os aplausos
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Há jogadores que se destacam pelo estilo. Outros pelos golos. E outros ainda pelo (mau) génio. O francês Éric Cantona conciliava os três pressupostos com uma facilidade arrepiante. Ele era a gola da camisola levantada, ele era o toque de bola esquisito, ele era o olhar de mau.

Há 13 anos, King Eric, como lhe chamavam os adeptos ingleses, entrou definitivamente e de uma assentada na história do Manchester United, da Premier League e da própria Inglaterra. Para tal, bastou-lhe o festejo sui generis de um golo. Foi em Old Trafford, frente ao Sunderland, em Dezembro de 1996. Já estava 4-0 quando Cantona apanhou a bola no meio-campo, ludibriou dois adversários, tabelou com McClair, entrou na área e fez um chapéu ao guarda-redes, também ele francês, Lionel Perez, de seu nome. O golo em si já é monumental e ainda hoje está no top 10 da Premier League, mas é o festejo que merece a atenção. A bola bateu no poste e entrou: 5-0.

Em vez de correr desenfreadamente pelo campo fora, Cantona simplesmente ficou parado, a contemplar, rodou sobre si mesmo com ar de desdém, como quem diz "bem, vamos lá ver: sou genial, não sou?", e depois abriu os braços para receber os aplausos dos 55 081 espectadores. O primeiro a abraçá-lo foi McClair, seguido de um cabeludo chamado Poborsky, que acompanhou de perto as passadas de Cantona. Ainda faltavam 10 minutos e os adeptos mancunianos (e ingleses, convém não esquecer) ocuparam esse tempo a cantar a Marselhesa, o hino francês. Em homenagem a Éric, não a Lionel, o guarda-redes que levou a chapelada e que fora companheiro de quarto (as voltas que a vida dá?!) de Cantona em 1991, quando os dois se cruzaram no Nîmes, em França. Já não há amigos como antigamente, deve ter pensado Lionel Perez. Ele que já fora enganado por Cantona no 2-0, de penálti, e mal batido no 3-0 de Solskjaer, assistido por Schmeichel, através de um pontapé de baliza. Um dia para esquecer? O agora treinador dos amadores do Chusclan Laudun l'Ardoise confirma ao i.

"O ambiente, os cânticos, a euforia... Tudo em Old Trafford é diferente de tudo o resto", realça Perez. "O Cantona já era o rei mas aquele golo, aliado ao festejo, foi como a cereja no topo do bolo, aquilo que faltava para o tornar imortal. O [Alex] Ferguson costumava dizer que Old Trafford era a segunda casa do Éric. Nessa noite, acho que ele fixou residência lá. Do balneário para o autocarro, tive obrigatoriamente de passar pela rua e só via pessoas, homens, mulheres e crianças, de gola levantada. Todos eram Cantonas."

Mais ou menos por essa altura, os jornalistas ficavam a saber que Alex Ferguson não queria falar com eles. "Meti férias de Natal porque estou farto de vocês", justificou o escocês, na ressaca da primeira vitória nos últimos três jogos. O blackout acabou em Fevereiro, pouco antes do 4-0 ao FC Porto, para a Liga dos Campeões. Também aqui Cantona marcou - a Hilário. O festejo, esse, foi banal, como o comum dos mortais. Mas com estilo, claro.






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