A promessa da EDP de que a energia eléctrica poderá ser reposta ao final do dia de hoje não convence os habitantes do Vilar (Cadaval) onde as velas estão quase esgotadas e há uma verdadeira ‘caça’ ao gerador.
“Andamos a ver se arranjamos um gerador emprestado, mas isto está difícil e se calhar temos mesmo que ficar à luz das velas” desabafa Olívio Germano.
A esposa, Maria Ivone, acredita que “vai haver luz durante a tarde”. Mas a crença não é partilhada pelo marido.
“As pessoas ligam para a EDP e dizem que vêm hoje, que vêm daqui a umas horas, mas nunca aparece” contrapõe Olívio Germano, convicto que esta noite irá reviver, com os filhos chegados da Holanda e de Lisboa, “os natais da infância, a luz das candeias, cotos (velas) e candeeiros a petróleo”.
Proprietário do Café Central, o casal Cardoso, conseguiu hoje um gerador emprestado para “poder abrir o café e minorar o prejuízo que “já vai um bocado grande, com a arca dos gelados descongelada e a televisão que já ‘pifou’”, queixa-se José Cardoso.
A falta de energia, leva o casal e dois filhos a passarem “a noite sozinhos” porque “nestas condições não vamos reunir a família” diz Anabela.
Já para prevenir que em nenhuma casa da aldeia o Natal não seja passado completamente às escuras, Carma e José Pedro Nunes, deitaram mão de toda a reserva de velas em armazém para vender na papelaria onde “as pilhas e lanternas já estão esgotadas”.
“Já esgotámos as velas de Natal e agora fomos buscar estas que têm santinhos” explica Carma Nunes.
“A EDP disse ontem que até ao meio-dia e meia hora haveria luz, mas até agora (24 horas depois), nada” reforça o marido colocando as velas bem à vista da clientela.
Na rua, António Santos, carrega a bilha de gás “para a petromax” que esta noite irá ligar na Palhoça, uma localidade vizinha onde também não se acredita que a electricidade chegue até à noite.
Em casa Ivone e Luis Graça, acendem-se as últimas velas da casa, enquanto se espera a chegada dos familiares que esta noite somarão entre 14 a 16 pessoas.
Com o forno eléctrico inutilizável, Ivone planeia “acender o forno a lenha para acabar de assar o peru” e antecipa os transtornos que a esperam “quando for começar a fazer os doces”. Mas o transtorno mais, diz, “será para os meus filhos, sem computador, sem televisão, enfim… vai ser um Natal mais tradicional”.
Para alguns, já que outros, como Inácio e Sandra e Santos, ficaram “estragadas as mini-férias de Natal”.
Residente em Lisboa, o casal e dois filhos carregaram o carro com “a comida e as prendas” para “passar o Natal em casa dos meus pais”, conta Inácio.
“Agora estamos a meter tudo no carro outra vez e vamos levar os meus pais para Lisboa, porque lá, não temos o sossego que procurávamos aqui, mas pelo menos temos luz” remata.




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