Professores recusam acordo com ministra e voltam à contestação
por Liliana Valente, Publicado em 24 de Dezembro de 2009
Sindicatos não aceitam propostas do Ministério da Educação e ameaçam com mais greves
As federações de sindicatos de professores recusam o acordo apresentado ontem pelo Ministério da Educação (ME) para o estatuto da carreira docente. O secretário de Estado, Alexandre Ventura, prometeu para segunda-feira uma "proposta global de acordo", mas Fenprof e FNE garantem que, caso a tutela mantenha "inalterável" a proposta apresentada na última ronda de negociações, entre os 12 sindicatos e o responsável, vão retomar a contestação.
A esperança de que a proposta do secretário de Estado contemple as ideias avançadas pelos sindicatos é nula por parte de Mário Nogueira, dirigente da Fenprof. Ao i, o secretário-geral da federação não excluiu a hipótese de novas greves. Tudo se decidirá na ronda que a Fenprof irá fazer nas escolas, terça-feira, dia 29 - o dia seguinte à apresentação da proposta do ministério. "Se os professores estiverem dispostos a lutar, faremos greve", garante Mário Nogueira. Posição semelhante assume João Dias da Silva, da FNE. "Caso a proposta da tutela continue igual, é evidente que não existirá qualquer acordo."
As negociações entre tutela e sindicatos parecem estar uma vez mais à beira de falhar. Mário Nogueira sublinha que não se trata de não querer negociar. "A razão para contestarmos a anterior equipa ministerial não foi não gostarmos da ministra. Apesar de esta ser mais simpática, as propostas com as quais não concordamos mantêm-se." O desacordo prende-se com questões como a manutenção de quotas e vagas na avaliação que, segundo a ministra, estimulam os professores "a irem mais além".
Se Mário Nogueira não tem fé nas negociações, João Dias da Silva ainda acredita no fruto possível de tantas reuniões. "Vamos esperar. Apostámos nas negociações. Se não houver alterações, o processo negocial não terá feito sentido."
Apesar da falta de esperança dos sindicatos, Alexandre Ventura garantiu, em declaração aos jornalistas, que "os docentes não serão prejudicados". A equipa de Isabel Alçada promete ainda ter em "consideração as propostas que foram sendo apresentadas".
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