10 símbolos, 10 desafios
Schumi na Mercedes. Só falta ganhar em casa
por Filipe Duarte Santos, Publicado em 24 de Dezembro de 2009
O oitavo título é possível? A idade não foi problema para Fangio
Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, diz que o Schumacher que regressa à Fórmula 1 já não é o mesmo que ganhou sete títulos de pilotos (cinco títulos na escuderia italiana). Será porque está velho, porque faz 41 anos no dia 3 de Janeiro? Talvez Montezemolo não se lembre que Juan Manuel Fangio foi campeão em 1957 com 46 anos. E que Nino Farina ganhou o seu único campeonato em 1950 com 43 anos. Aí está a grande pergunta para 2010 na Fórmula 1: aquele que é estatisticamente o maior piloto de todos tempos vai conseguir chegar a um oitavo título mundial?
Os rumores confirmaram-se. Ontem a Brawn-Mercedes deu como oficial o regresso de Michael Schumacher, para um ano de contrato que a imprensa alemã diz valer qualquer coisa como 7 milhões de euros. É o maior golpe possível em tempos de crise - de nomes e de dinheiro -, com os melhores pilotos limitados pela balbúrdia das novas regras e construtores como a Honda e BMW a irem-se embora. A Renault ficou, mas já anunciou que vai desinvestir. Quem dá tudo é a Mercedes, construindo uma equipa totalmente germânica (Nico Rosberg) e a ir ao fundo dos bolsos por Michael Schumacher. Parece que há opiniões diferentes da de Montezemolo. "Se não ganhar uma corrida, é porque não tem carro para o fazer", disse Ross Brawn acerca de Schumi quando o regresso estava previsto... para a Ferrari e para o lugar de Felipe Massa, a meio da última época.
Brawn, o mago das tácticas ao lado do qual Schumi ganhou todos os seus títulos, na Benetton e na Ferrari, deve saber do que fala. Agora volta a ter a seu lado o recordista de vitórias (91), pole positions (68) e voltas mais rápidas (76), aquele que fez mais trebles (22 vezes na pole, arrancando para volta mais rápida e corrida), ou mais vitórias numa época (13). Quem não gosta do feitio do alemão, é claro que também pode lembrar o piloto que ganhou um título abalroando Damon Hill, que tentou fazer o mesmo a Jacques Villeneuve e chegou a somar vários triunfos devido a ordens de equipa (coitados, Jarno Trulli, Rubens Barrichello e Felipe Massa), como aquele no Grande Prémio da Áustria em que Rubinho foi forçado a abrandar já com a meta à vista. Onde está, Schumacher quer mandar, ganhar e ser líder. E agora sê-lo-á em casa, ao serviço da marca com que correu em miúdo, aquela que afinal o lançou para a F1 sem depois retirar daí qualquer rendimento.
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