Sócrates sobre Cavaco: "ninguém está acima da crítica"

Publicado em 22 de Dezembro de 2009   
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O primeiro-ministro, José Sócrates, defendeu hoje que “ninguém está acima da crítica” mas disse não confundir o debate político com conflito institucional, após questionado por Francisco Louçã sobre a recente polémica entre Belém e S. Bento.

Em democracia ninguém está acima da crítica. Confundir o debate político com conflito institucional ou desrespeito é um pobre entendimento da nossa democracia”, afirmou José Sócrates, no debate quinzenal na Assembleia da República.

Sócrates respondia a uma pergunta do coordenador político do BE, Francisco Louçã, sobre “o nível da crispação política” entre a Presidência da República e o Governo, com “fontes das mais altas instituições a falar em intriga”.

Eu próprio já tenho discordado do Presidente da República e isso não levou a nenhuma dramatização”, acrescentou Sócrates, ironizando que Louçã “estava tão zeloso para ser porta-voz do Presidente na Assembleia da República”.

“Há algumas semanas talvez tivesse feito falta porque parece que ele não tinha porta-voz”, disse, aludindo ao ex-assessor de Cavaco Silva Fernando Lima.

O deputado do BE questionou José Sócrates sobre se “compartilha da opinião de dirigentes do PS” de que declarações de Cavaco Silva afirmando estar mais preocupado com o emprego [do que com a proposta para legalizar os casamentos entre pessoas do mesmo sexo] significa uma “intromissão na agenda do Governo” como defendeu no fim-de-semana o vice-presidente da bancada do PS Sérgio Sousa Pinto.

Sobre o assunto, José Sócrates disse não compreender como é que ao aprovar uma lei para legalizar os casamentos entre pessoas do mesmo sexo estará “a pôr em causa o combate ao desemprego”, que é “uma tarefa de todos os dias” e frisou que a matéria “em nada conflitua com as prioridades do Governo”.

Após as palavras do primeiro-ministro, o deputado disse registar que o Governo “manda dizer que as declarações do Presidente põem em causa a estabilidade política”, mas, na Assembleia da República, o primeiro-ministro “não diz nem desdiz” e que é “apenas uma questão de opinião”.

“Tem que se acabar com esta tragicomédia sobre as condições de governabilidade”, defendeu.

Os vice-presidentes da bancada do PS Ricardo Rodrigues e Sérgio Sousa Pinto destacaram-se nos últimos dias por recados ou críticas dirigidas ao Presidente da República.

Na semana da discussão do Orçamento Rectificativo, Ricardo Rodrigues defendeu que o chefe de Estado deveria actuar face aos comportamentos das oposições, alegando que poderia estar em causa o normal funcionamento das instituições.

Já Sérgio Sousa Pinto criticou o Presidente da República por ter defendido que há problemas mais importantes no país do que o casamento homossexual, advertindo o chefe de Estado que "não pode intrometer-se na agenda do PS" e "não pode fazer coro com a oposição de direita".

 



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