O presidente do Observatório da Comunicação sugere a criação de uma taxa a pagar na factura do serviço de Internet e a distribuir pelos fornecedores de conteúdos como alternativa ao pagamento pelo acesso a conteúdos on-line.
A ideia, avançada por Gustavo Cardoso em entrevista à Lusa a propósito do 10º aniversário do Obercom, é semelhante ao que já acontece na factura da electricidade que inclui a Contribuição para o Audiovisual, que constitui uma receita da RTP.
Na opinião do presidente do Obercom, os órgãos de comunicação social que equacionam cobrar pelos conteúdos que disponibilizam na Internet devem questionar-se se vale a pena essa aposta que implica a perda de uma série de leitores. “Não conheço nenhum estudo em Portugal sobre esta questão mas se na factura da Internet de casa um euro for destinado a compensações para entidades que produzem os conteúdos, talvez seja mais rentável do que o pagamento directo”, defendeu.
Segundo Gustavo Cardoso, as tensões são tão grandes entre empresas, entre empresas e operadores de Internet e entre o Estado e empresas que, “provavelmente, vamos continuar a ter soluções complicadas cujos custos podem até nem justificar o acto de receber”.
“Estas coisas valem a pena ser ditas e feitas se tivermos a certeza. Temos de estar certos que não vamos voltar atrás na decisão”, alertou.
Para o presidente do Obercom existem ainda outros problemas no espaço on-line por resolver em Portugal. “No caso português em concreto temos um problema para resolver no clipping, um tema que se arrasta e que ainda não teve solução que é fundamental para desviar obtenção de lucros ou a repartição de lucros obtidos por utilizações secundárias para fins comerciais da informação produzida por outrem”, disse.
Relativamente à questão se devem ou não ser pagos os acessos à informação fornecida, Gustavo Cardoso considera que devem ser analisados os comportamentos dos consumidores. “Há vários tipo de consumidores. A maior parte das pessoas não lê as notícias, lê apenas os títulos e em cada dez apenas uma lê uma notícia do princípio ao fim”, disse.
Se esses títulos não pagos forem retirados as empresas irão perder um conjunto de potenciais leitores que para a publicidade deixam de contar e será que o grupo reduzido dos que lêem as notícias pagas recuperarão a perda dos outros?
Na opinião do presidente da Obercom, todo este exercício deve ser feito pelas empresas e não havendo ainda uma resposta nacional é necessário olhar para os exemplos internacionais.




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