Reconhecimento

Brasil assume 20 mil torturas durante ditadura e cria "comissão da verdade"

por Liliana Valente, Publicado em 21 de Dezembro de 2009   
Lula quer investigar os crimes de tortura e homicídio praticados pelos militares durante mais de duas décadas
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Quase 20 mil pessoas foram torturadas e contabilizam-se ainda 400 mortos ou desaparecidos. Foi este o balanço negro de uma ditadura militar que durou de 1964 a 1985. Agora, o presidente Lula assume os crimes dos militares e quer investigar a fundo as consequências da ditadura que derrubou o governo do presidente João Goulart.
Lula deverá anunciar hoje a criação de um grupo de trabalho, com representantes de vários ministérios - o primeiro passo para a existência da Comissão da Verdade, segundo o diário espanhol "El País". 
Para o ministro Paulo Vannuchi, o Brasil tem de acertar contas com o passado. Caso contrário, não terá autoridade moral para criticar a actuação dos polícias brasileiros. Vannuchi diz mesmo que "no Brasil existe uma cultura de impunidade e a impunidade realimenta a repetição do crime." O ministro vai mais longe e diz que há uma ligação "entre a falta de discussão sobre a violência do passado e os problemas do Brasil de hoje." 
O grupo de trabalho deverá apresentar, no prazo de quatro meses, a Comissão da Verdade "composta de forma plural e suprapartidária, com mandato e prazos definidos, para examinar as violações dos direitos humanos praticados no contexto da repressão política", lê-se no documento.
A secretaria de Estado dos Direitos Humanos, do ministro Paulo Vannuchi, assume que o objectivo é "promover a reconstrução das violações de direitos humanos, assim como localizar e identificar os restos das centenas de pessoas desaparecidas."
A criação da Comissão da Verdade é um acto inédito, uma vez que os governos anteriores se regeram pelo silêncio em relação aos crimes de uma das ditaduras mais sangrentas da América do Sul.


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